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Recuperação do Brasil acelera mas segue insuficiente, avisa economista

Apesar de sinais positivos, a economia brasileira ainda é insuficiente e muito dependente dos fatores externos, afirmou a economista da UERJ, Maria Beatriz de Albuquerque David.
Sputnik

A agência de rating S&P informou que a recuperação econômica do Brasil, após o clímax da pandemia do novo coronavírus, aconteceu de forma mais rápida, do que o previsto. Além disso, a agência revisou as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2020 de -7% para -5,8%, mantendo a projeção para 2021 em 3,5%.

Para a economista e professora da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Maria Beatriz de Albuquerque David, a boa notícia seria resultado de "algumas medidas de estímulo ao consumo" adotadas pelo governo, como o auxílio emergencial, facilitação de crédito às empresas e a flexibilização das relações de trabalho.

"Não é uma recuperação muito grande, mas é uma queda de 1,2%, ante o esperado. E também tem o impacto grande da economia mundial, que também se recuperou mais rapidamente. Principalmente a China, nosso principal parceiro em termos de commodities. Isso tem um impacto muito positivo", disse a economista à Sputnik Brasil.

Quanto às projeções para o PIB brasileiro em 2021, a especialista alertou que os números podem suscitar falsas expectativas.

"Isso não significa que a situação do ano que vem seja muito melhor. Mesmo que a gente cresça 3,5%, não vai dar para recuperar a queda de quase 6%, se confirmadas as previsões. A gente vai estar pior do que quando entrou na pandemia", avisou a professora.

Ela destacou que as avaliações da S&P não deixam de ser uma boa notícia, mas o Brasil ainda vai enfrentar sérias consequências em função do aumento da desigualdade no país e da desvalorização cambial crescente, que provoca aumento dos preços de alimentos.

"Essa melhora pode não se confirmar até o fim do ano, se diminuir o auxílio emergencial. A taxa de recuperação ainda é lenta e nós vamos ficar muito mais dependentes do comportamento da economia mundial", avisou Maria Beatriz de Albuquerque David.

Ela destacou que, do ponto de vista da economia mundial, a China está sendo o grande motor da recuperação. Grandes potências econômicas como Índia e os EUA, por outro lado, ainda enfrentam sérias dificuldades.

A especialista afirmou que o futuro segue incerto. Além disso as relações de trabalho devem sofrer grandes alterações no mundo todo. O resultado dessas mudanças será imprevisível, mas o Brasil não vai ficar de fora e sentirá os efeitos já nos próximos meses, bem como a longo prazo.

"Vai se viver uma transformação profunda nas relações de trabalho. As empresas vão ter de se reestruturar. E vamos sentir isso nos próximos meses. Toda essa questão do home office, todas essas mudanças nas relações de trabalho vão impactar a longo prazo", concluiu a economista.
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