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Brasileiro deixa o comando da OMC e aprofunda maior crise do órgão comercial mundial

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevedo, renuncia ao cargo nesta segunda-feira (31), deixando o corpo já ferido, que enfrenta a maior crise de seus 25 anos de história, sem líder.
Sputnik

À medida que a influência da OMC diminui no planeta, as crescentes tensões internacionais e o protecionismo durante uma desaceleração induzida pela COVID-19 tornam cada vez mais urgente uma reforma das regras de comércio global.

"É uma nova [...] baixa para a OMC", disse Rohinton Medhora, presidente do Centro para Inovação em Governança Internacional. "A organização está sem rumo há algum tempo, vários anos na verdade, e agora estará funcionalmente sem liderança".

Em particular, o tribunal de apelações da OMC, que governa as disputas comerciais internacionais, foi paralisado pelo bloqueio dos Estados Unidos à nomeação de novos juízes.

De saída da OMC, Azevedo terá um novo cargo na companhia PepsiCo Inc e oito candidatos competem para substituí-lo.

Em 1999, houve uma lacuna de liderança de quatro meses e as diretrizes para evitar uma recorrência exigiam que 164 membros selecionassem um substituto temporário dos quatro suplentes atuais. Mas a insistência de Washington em seu candidato impediu o acordo, deixando um vácuo que durará meses.

Brasileiro deixa o comando da OMC e aprofunda maior crise do órgão comercial mundial

Eleições nos EUA

Em teoria, um vencedor deveria ser escolhido antes de 7 de novembro, em um processo de eliminação acordado que visa a nomeação de um novo CEO por consenso. Na prática, fontes empresariais dizem que a incerteza em torno da eleição presidencial de 3 de novembro nos EUA, que não dizem publicamente qual candidato preferem, pode atrasar ainda mais as coisas.

O orçamento de 2021, que será definido no final do ano e que Washington pode questionar, também pode ser um entrave.

O governo do presidente Donald Trump diz que a OMC, que levou quase 20 anos para negociar seu primeiro acordo global, passou anos sem responsabilizar a China por práticas comerciais desleais. Ele também diz que o sistema de tarifas da OMC é injusto para os Estados Unidos.

Trump até sugeriu deixar a OMC, embora nenhum plano firme tenha sido anunciado. Em outra frente, a Casa Branca conseguiu um compromisso do presidente Jair Bolsonaro para o Brasil deixar de ter um status especial dentro da organização, no que facilitaria as relações comerciais bilaterais entre os dois países, em troca do apoio à entrada brasileira na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

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