'Perigo sem precedentes': chanceler da Jordânia alerta sobre planos de Israel na Cisjordânia

Os planos de anexação israelense na Cisjordânia ocupada representam um "perigo sem precedentes", alertou o ministro das Relações Exteriores da Jordânia, Ayman Safadi, nesta quinta-feira (18), durante uma rara visita aos territórios palestinos.
Sputnik

O principal diplomata da Jordânia viajou de helicóptero para Ramallah, sede da Autoridade Palestina, para conversar com o presidente palestino Mahmoud Abbas.

"A questão da anexação é um perigo sem precedentes para o processo de paz", avaliou Safadi a jornalistas após a reunião. "Se a anexação ocorrer, ela matará a solução de dois Estados e destruirá todas as bases em que o processo de paz se baseou", acrescentou.

Israel planeja anexar assentamentos judaicos na Cisjordânia e no estratégico Vale do Jordão, movimentos dados pelas bênçãos dos EUA como parte de uma controversa iniciativa de paz divulgada em janeiro pelo presidente estadunidense Donald Trump.

O governo israelense informou que poderia iniciar o processo de anexação a partir de 1º de julho, levando a Jordânia a avisar que iria rever os laços.

Safadi disse que o reino continuará apoiando os palestinos e "protegendo a região das consequências de um conflito longo e doloroso se Israel anexar um terço da Cisjordânia ocupada".

Jordânia e Egito são os únicos países árabes a terem acordos de paz com Israel.

A visita do ministro a Ramallah foi a primeira de uma autoridade estrangeira de alto nível desde o início da pandemia do novo coronavírus, que fechou fronteiras em todo o mundo.

Europa e ONU se opõem aos planos de Tel Aviv

Saeb Erekat, uma alta autoridade palestina, declarou que a delegação jordaniana compartilhou a posição de Abbas.

"A iniciativa de paz árabe encerra a ocupação, percebendo a independência do Estado da Palestina com Jerusalém oriental como sua capital, nas fronteiras de 1967", escreveu no Twitter.
'Perigo sem precedentes': chanceler da Jordânia alerta sobre planos de Israel na Cisjordânia

Israel ocupou a Cisjordânia e Jerusalém Oriental na Guerra dos Seis Dias de 1967, posteriormente anexando a cidade em um movimento nunca reconhecido pela comunidade internacional.

O plano de paz de Washington prevê a eventual criação de um Estado palestino, mas desconsidera as principais demandas palestinas, incluindo uma capital no leste de Jerusalém.

O rei da Jordânia, Abdullah II, expressou a sua oposição ao Congresso dos EUA, dizendo a alguns membros nesta semana que a anexação é "inaceitável e prejudica as chances de paz e estabilidade na região".

Na reunião on-line, Abdullah sublinhou a importância de "estabelecer um Estado palestino independente, soberano e viável", de acordo com um comunicado do palácio.

As Nações Unidas alertaram que a anexação poderia provocar violência, enquanto a União Europeia (UE) também manifestou sua oposição.

O principal diplomata alemão, Heiko Maas, viajou a Israel no início deste mês sem visitar os territórios palestinos, falando com o primeiro-ministro palestino Mohammed Shtayyeh por um link de vídeo da capital jordana Amã.

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