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Declarações de Mandetta tomam importância porque há um vazio na condução da saúde, diz analista

Apesar de ter saído do comando do Ministério da Saúde em 16 de abril, Luiz Henrique Mandetta não saiu dos holofotes da política nacional.
Sputnik

O ex-ministro vem sendo requisitado por autoridades públicas e continua concedendo entrevistas a jornalistas brasileiros e estrangeiros para opinar sobre o combate à pandemia da COVID-19 no Brasil.

Nesta segunda-feira (18), por exemplo, Mandetta se reuniu com representantes do governo do Pará para discutir estratégias de combate ao novo coronavírus. Mandetta foi ao estado como convidado da organização Comunitas, entidade social especialista em parcerias público-privadas, que atua junto a governos estaduais e municipais.

Na semana passada, Mandetta deu uma entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN Internacional, e disse que o Brasil pode atingir o patamar de 1.000 mortes ao dia por COVID-19 e criticou o presidente Jair Bolsonaro por defender a volta da população ao trabalho em meio à pandemia.

Para Sônia Fleury, doutora em Ciência Política, pesquisadora sênior do Centro de Estudos Estratégicos da Fundação Oswaldo Cruz, o motivo que leva Mandetta a não sair dos holofotes é de que o Brasil hoje vive um "vazio no comando do Ministério da Saúde".

"Creio que a importância que tem se dado às declarações do Mandetta é decorrente do fato de que há um vazio na condução do Ministério da Saúde, ou seja, um vazio de uma autoridade sanitária. E este vazio é claro que acaba sendo ocupado por alguém que tem uma opinião contundente, importante e baseada em uma experiência e em evidências científicas", disse à Sputnik Brasil.

Desde que o oncologista Nelson Teich pediu demissão do Ministério da Saúde, em 15 de maio, o presidente Jair Bolsonaro não havia nomeado o novo ministro da pasta até a publicação deste texto.

Segundo a cientista política, a troca de Mandetta por Nelson Teich falhou porque o oncologista não tinha experiência em gestão pública.

"A substituição do Mandetta pelo Teich houve uma guinada fortíssima do governo, que substituiu um quadro que era político, mas que tinha se respaldado no embasamento técnico, que prestava contas à sociedade sobre o que estava acontecendo e que vestiu a camisa do SUS. [...] Foi uma guinada entregar o ministério a um consultor, que por mais bem sucedido, não tinha a mínima experiência em relação à área pública", afirmou.

Segundo o último balanço do Ministério da Saúde, divulgado nesta terça-feira (19), o Brasil registra 17.971 mortes causadas pela COVID-19 e 271.628 casos confirmados da doença.

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