Economista francês alerta: 'Nos espera o mesmo que aconteceu na Venezuela'

Dois economistas franceses analisaram a situação nos mercados mundiais na sequência das medidas tomadas pela Reserva Federal dos EUA e pelo Banco Central Europeu em meio à propagação do coronavírus nos EUA e na Europa.
Sputnik

"Os bancos centrais estão em um impasse. Já não podem jogar com as taxas, então começaram a comprar ativos ou dívidas públicas, sobretudo no âmbito de uma política de flexibilização quantitativa, para que haja liquidez. Mas a crise é tão forte que isso não funciona mais", explica Philippe Herlin, economista e colunista do portal Or.fr.

"É preciso entender que antes da epidemia de coronavírus ter surgido, a confiança nos bancos centrais já estava severamente comprometida. Os investidores perceberam que os bancos, com suas taxas baixas ou até mesmo negativas, estavam paralisados e que suas mãos estavam atadas. Todos aqueles que entendiam, já sabiam que tal situação poderia conduzir a uma explosão em caso de crise. E isto aconteceu com o coronavírus, que é um verdadeiro cisne negro", acrescentou.

De acordo com ele, a reação moderada dos mercados apenas confirma a "perda de confiança nos bancos centrais", o que, em suas palavras, é "muito ruim", porque leva a uma "perda de confiança na moeda".

Especialista em obrigações da empresa Aviva Investors, Julien Rolland diz que "o Banco Central Europeu confirma seu compromisso com o nível das taxas e afirma que continuará a implementar outras medidas e que não há limite para o que pode fazer".

Estas medidas seriam apenas o começo?

"Isto é uma loucura. Na minha opinião, para lidar com a crise é necessário agir, não a este nível, mas ao nível dos governos. A propósito, estes últimos estão fazendo um bom trabalho, inclusive têm que improvisar muito. As medidas tomadas em França, na Alemanha, nos EUA estão na direção certa: os prazos de pagamento de impostos estão sendo adiados, há auxílio para empresas em risco de falência", avança Herlin.

Por outro lado, o economista observa que quando os bancos centrais liberam dinheiro, existe o risco de os preços saírem do controle, criando uma hiperinflação.

"Espera-nos o mesmo que aconteceu na Venezuela. Estamos enfrentando uma recessão causada pelas medidas destinadas para conter a epidemia, e isto será seguido por uma recessão econômica. Não pense que nós podemos recuperar disto em poucas semanas. Se os bancos centrais começarem a imprimir dinheiro, creio que a inflação pode voltar. Isto conduzirá a uma situação extremamente difícil porque se os preços saírem do controle, as taxas de juros aumentarão automaticamente. Isto é um desastre em um mundo onde os Estados e as entidades econômicas têm dívidas tão grandes", conclui Herlin.

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