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Alta do dólar se deve principalmente à taxa de juros e ao coronavírus, diz economista

A intervenção do Banco Central (BC), que atuou no mercado futuro de câmbio, impediu que o dólar registrasse mais um recorde nesta quinta-feira (13).
Sputnik

O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 4,336, com queda de R$ 0,015 (-0,35%).

Na máxima do dia, por volta das 10h, a cotação encostou em R$ 4,38. O câmbio só reverteu o movimento depois de o BC anunciar um leilão de US$ 1 bilhão em contratos de swap cambial, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro.

Na quarta-feira (12) o dólar ultrapassou R$ 4,35 e fechou no maior valor nominal desde a criação do real.

Segundo o economista Alexandre Cabral, especialista em mercado financeiro e professor do Ibmec-SP, uma série de fatores domésticos e internacionais tem provocado turbulência no mercado financeiro.

Um desses fatores é o fato da taxa básica de juros do país (Selic) estar 4,5% ao ano. Com isso, segundo Alexandre Cabral, a entrada de dólares no Brasil diminuiu bastante.

"Esse dinheiro de especulação de juros sumiu. O capital especulativo grosso que vinha para a renda fixa diminuiu bastante, não o da bolsa, o da renda fixa, o que ganhava 12% no Brasil, que agora ganha 4,25%, ele diminuiu bastante", disse Cabral à Sputnik Brasil.

Além da taxa de juros, outro fator que influencia na alta do dólar, segundo o economista, é o surto de coronavírus na China, principal parceiro comercial do Brasil.

"Se a China diminui o crescimento, as nossas exportações sentem. Nossas exportações sentindo, entram menos dólares. Se vão entrar menos dólares porque a China deve crescer menos nesse primeiro trimestre 2020, vai entrar menos fluxo para o Brasil", disse Alexandre Cabral.

No entanto, segundo o economista, é provável que até o meio do ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) não mexa na taxa Selic.

"Eu não acredito que em um curto prazo, pelo menos até o meio do ano ou final do ano, ele faça alguma coisa", completou Cabral.

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