MRE da Estônia classifica sanções contra Sputnik como questão de 'defesa da Europa'

O chanceler estoniano, Urmas Reinsalu, se referiu às sanções contra a Sputnik Estônia como questão de "defesa da Europa".
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Reinsalu explicou que as sanções são resultado de exigências da União Europeia e não dirigidas diretamente à Sputnik, mas, sim, contra o diretor-geral da agência de notícias internacional Rossiya Segodnya (a qual tanto a agência Sputnik como o canal RT fazem parte), Dmitry Kiselev, que é alvo de sanções econômicas pessoais.

"Isso não tem nada a ver com a liberdade de imprensa, mas, sim, com a defesa da Europa e da liberdade", afirmou Reinsalu à Sputnik nos corredores do fórum de política internacional, que está sendo realizado em Nova Deli.

Segundo contou a chefe da Sputnik Estônia, Elena Cherysheva, ao canal de televisão ETV+, as autoridades estonianas alegam que a Rossiya Segodnya é controlada por Kiselev, por ele assinar os documentos. Cherysheva ressaltou que a Rossiya Segodnya é uma agência de notícias federal, que não é sido alvo de nenhuma sanção, sendo Kiselev apenas um funcionário.

Apelo à UNESCO

A agência de notícias internacional Rossiya Segodnya escreveu cartas aos líderes da Federação Internacional de Jornalistas (IFJ, na sigla em inglês), UNESCO e Repórteres Sem Fronteiras (RSF) chamando atenção para a situação enfrentada pela Sputnik Estônia, cujos funcionários foram ameaçados com processos criminais caso não se demitissem.

Nas referidas cartas, o diretor-executivo Kirill Vyshinsky expôs detalhadamente a "longa campanha de pressão e intimidação" movida pelas autoridades estonianas contra a Sputnik Estônia.

"Solicito que requeiram explicações concretas às autoridades estonianas por desrespeitarem os regulamentos das Nações Unidas e do Conselho da Europa que alegam respeitar", lê-se na carta.

Vyshinsky manifestou disponibilidade para se encontrar pessoalmente com os chefes das três organizações destinatárias das cartas para discussão dos problemas envolvendo "a liberdade de opinião, a perseguição à mídia e a possibilidade de cooperação no combate a crimes contra jornalistas".

Cerco à Sputnik

Em dezembro do ano passado, os funcionários da Sputnik Estônia foram notificados pelos Departamentos da Polícia e do Controle Fronteiriço estonianos com cartas ameaçadoras de abertura de processo criminal contra quem se opusesse a cortar laços trabalhistas com a agência de notícias principal Rossiya Segodnya.

Os jornalistas da Sputnik Estônia se viram obrigados a acatar a ordem, e o site da Sputnik Estônia entrou em estado de emergência no dia 1º de janeiro e agora está desativado.

Rossiya Segodnya considera atitude das autoridades estonianas clara e ilegal perseguição, além de gravíssima violação dos princípios da liberdade de opinião, exortando todas as organizações europeias e mundiais, como a ONU, UE, OSCE, Parlamento Europeu e Repórteres Sem Fronteiras a tomarem posição.

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, assegurou que Moscou não economizará esforços para que as redações da Sputnik continuem funcionando normalmente em outros países. Já o Ministério das Relações Exteriores russo criticou as atitudes de Tallinn e prometeu retaliações.

Harlem Désir, chefe da OSCE para a liberdade de imprensa, destacou que a aplicação de sanções à Sputnik devido a Kiselev cria um problema na esfera da liberdade de imprensa.

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