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Desempenho do Brasil em ranking internacional de educação mantém 'luz vermelha acesa', diz analista

Os dados divulgados nesta terça-feira (3) no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês) mostraram que o Brasil não conseguiu registrar avanços significativos no desempenho dos estudantes em leitura, matemática e ciências.
Sputnik

Em habilidades de leitura, por exemplo, no ano 2000, a pontuação do Brasil era de 396 pontos. Em 2009, chegou a 412. Quase dez anos depois, em 2018, a pontuação foi de 413.

Já em matemática mais de dois terços dos estudantes brasileiros de 15 anos têm um nível de aprendizado em matemática mais baixo do que é considerado "básico" pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Em entrevista à Sputnik Brasil, o diretor da FGV Social, Marcelo Neri, disse que os dados do Pisa servem de sinal de alerta para o Brasil.

"No Brasil há mais de 15 anos que não se vê progresso. Nossos rankings internacionais são muito baixos e não permitem nenhum tipo de otimismo em relação a inserção desses estudantes na sociedade e no mercado de trabalho. Eu vejo [esses dados] como um sinal de alerta e a luz continua vermelha", disse.

Dos seis da América do Sul participantes da edição 2018 do Pisa, o Brasil não está nem entre os primeiros nem em último, quando consideramos o desempenho geral.

Uma surpresa do Pisa, segundo Marcelo Neri, foi o desempenho da Argentina, que ficou consistentemente na última ou entre as últimas colocações.

"Há uma certa surpresa estarmos na frente da Argentina, eles sempre tiveram uma tradição de escolas muito mais longeva, muito mais tradicional que a brasileira. Por exemplo, em taxa de analfabetismo o Brasil está 50 anos atrás da Argentina, portanto estar a frente de alguns países, entre eles a Argentina, é uma surpresa favorável", afirmou.

O Pisa também mostrou que o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo em educação. Na última década, a diferença de desempenho entre os alunos se aprofundou com a desigualdade socioeconômica. Por exemplo, em 2018, a diferença de pontuação entre estudantes ricos e pobres na prova de leitura foi de 97 pontos. Em 2009, essa diferença de desempenho era de 84 pontos.

De acordo com Marcelo Neri, desigualdade social e o baixo desempenho educacional caminham juntos.

"São duas faces da mesma moeda, e eu diria que a outra face é dificuldade do país crescer, que também é diretamente direcionada a educação. De alguma forma, dois males de primeira ordem do Brasil que é a alta desigualdade e uma economia com produtividade estagnada há décadas estão diretamente ligados", completou.

O Pisa é feito a cada três anos com nações membros da OCDE e convidados, como é o caso do Brasil. O teste avalia três áreas de conhecimento: leitura, matemática e ciências. Participaram da prova, aplicada em 2018, 600 mil estudantes em 79 países.

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