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Nova Zelândia lança 1º banco de espermas HIV positivo

Medida tem como objetivo conscientizar a sociedade civil sobre o status de carga viral indetectável, na qual o paciente deixa de transmitir o vírus sexualmente ou pelo parto. Apesar das melhoras nos últimos trinta anos, pacientes positivos ainda sofrem com estigma e preconceito.
Sputnik

O primeiro banco de esperma HIV positivo foi lançado na Nova Zelândia com o intuito de conscientizar o público sobre os avanços no tratamento da doença e reduzir o preconceito contra os portadores do vírus.

As atividades do banco, chamado de Esperma Positivo (Sperm Positive, em inglês), começaram com a contribuição de três doadores que são portadores do vírus, porém com carga viral extremamente baixa, indetectável pelos métodos convencionais.

Apesar da carga viral indetectável não significar a cura da doença, ela indica que o tratamento está sendo realizado com sucesso e que o vírus não pode ser transmitido – nem sexualmente, nem pelo parto.

Nova Zelândia lança 1º banco de espermas HIV positivo

Um dos doadores, Damien Rule-Neal, foi diagnosticado com HIV em 1999, mas após iniciar o tratamento antirretroviral atingiu o nível indetectável da doença.

Ele disse ao jornal The Guardian que o status de carga viral indetectável do HIV ainda é muito pouco conhecido, e que tanto ele quanto seus colegas sofrem preconceito na vida pessoal e profissional em função da doença.

"Poder ajudar os demais nessa jornada é tão gratificante, mas eu também quero mostrar ao mundo que a vida não acaba após o diagnóstico e quero ajudar a retirar o estigma", disse.

Muitos portadores de HIV não sabem que, com tratamento antirretroviral adequado, podem atingir o nível de carga viral indetectável e, portanto, não transmitirem o vírus sexualmente.

"Tenho muitos amigos que também vivem com o HIV, seguiram em frente e tiveram filhos", contou.

O médico Mark Thomas da Universidade de Auckland conta que, em mais de 30 anos de medicina, observa uma mudança positiva na atitude do púbico para com o vírus. Mas lembrou que o tabu ainda permanece:

"O medo do estigma e a discriminação podem levar pessoas em risco a deixarem de fazer o teste, e aqueles que são portadores do vírus a não buscarem tratamento e apoio", alertou.

Nova Zelândia lança 1º banco de espermas HIV positivo

Tratamentos ineficazes não permitem que o paciente atinja a carga viral indetectável e, portanto, nesses casos o risco de transmissão permanece:

"O estigma pode levar para uso inconsistente dos medicamentos e, portanto, resultar em um tratamento muito menos eficaz do HIV, e logo para o risco de transmitir o vírus", explicou.

O banco Esperma Positivo é uma iniciativa da Fundação para a Aids da Nova Zelândia, da Mulheres Positivas Inc. e da Corpo Positivo e foi lançada alguns dias antes do Dia Mundial da Aids, em 1º de dezembro.

Carga viral indetectável no Brasil

No Brasil, a sociedade civil organizada lançou a campanha "Indetectável=Intransmissível", que busca divulgar a condição de carga viral indetectável. A divulgação tem como objetivo não só diminuir o preconceito, mas também estimular os portadores do vírus a buscar tratamento adequado.

Em 2017, o Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo reconheceu, por meio de nota, que o status indetectável implica que o vírus não é transmissível, o que foi considerado uma conquista para as organizações de prevenção à Aids.

Nova Zelândia lança 1º banco de espermas HIV positivo

O Dia Mundial da Aids será comemorado na cidade com a 1ª Mostra Mais Arte Menos Aids, que reunirá artistas positivos no Parque Prefeito Mário Covas.

Entre os dias 29 de novembro e 1º de dezembro, ente as 7 e as 18h, o evento promoverá uma exposição chamada "Indetectável=Intransmissível", para conscientizar tanto portadores do vírus quanto a sociedade civil das benesses da carga viral indetectável e, portanto, do tratamento antirretroviral.

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