Perigos do espaço: por que astronautas arriscam suas vidas a cada minuto por estarem no espaço

Asteroides sem rumo e detritos espaciais são somente dois dos muitos perigos com que astronautas se deparam no espaço, mas uma ameaça invisível em particular é a maior preocupação das missões espaciais.
Sputnik

Os três astronautas da NASA estacionados atualmente na Estação Espacial Internacional (EEI) vivem em relativo conforto. A EEI é abastecida frequentemente por carregamentos vindos da Terra, o sistema de suporte de vida transforma água em oxigênio respirável e potentes sistemas de filtros garantem que nem uma gota de água se perca. No entanto, fora da estação espacial o vazio do espaço é um ambiente particularmente hostil, onde o perigo pode vir de qualquer direção.

Um dos maiores perigos encarados pelos astronautas é a quantidade de radiação emanada pelo Sol.

Em uma altura orbital de 402 km, a EEI é protegida da radiação, sobretudo pela magnetosfera da Terra. Porém, os astronautas perdem essa proteção natural uma vez que se aventurem além dos limites do planeta, para lugares como a Lua e Marte.

A radiação espacial se manifesta através de partículas energéticas repelidas pelo Sol em alta velocidade. Estes prótons e elétrons carregados são atirados para fora do Sol, penetrando em qualquer coisa no caminho.

Mesmo no conforto da EEI e da magnetosfera do planeta Terra, os astronautas continuam a ver brilhantes manchas luminosas ao fechar os olhos – partículas voando através de seus olhos.

Perigos do espaço: por que astronautas arriscam suas vidas a cada minuto por estarem no espaço

Com a exposição à radiação vem também o aumento do risco de desenvolver câncer e outras perigosas anomalias.

Partículas energéticas podem penetrar no DNA, provocando mutações e o crescimento de células cancerígenas.

Segundo o doutor Andrzej Fludra, da RAL Space, as partículas são poderosas a ponto de penetrar as paredes de veículos espaciais.

Fludra afirma em entrevista ao Express.co.uk: "Estas partículas energéticas sempre colocaram os astronautas em risco […] Mesmo durante a missão Apollo, havia um estudo que indicava que se fosse lançada algumas semanas de outra forma, eles poderiam ter sido atingidos por um destes fluxos de partículas energéticas".

"Por sorte, elas estão distribuídas em largos intervalos de tempo, então podem ocorrer de poucos em poucos dias, mas quando o Sol está bem ativo no máximo de seu ciclo, elas podem ser lançadas muito mais frequentemente. Talvez até mesmo várias vezes por dia".

Devido ao programa Artemisa da NASA, que busca retornar o homem à Lua até 2024, a agência espacial terá que descobrir uma forma de proteger os astronautas da radiação.

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Um dos planos envolve enviar robôs para construir habitats no solo lunar, mantendo os astronautas a salvo da radiação e do impacto de pequenas rochas.

Uma futura viagem ao planeta Marte é ainda mais preocupante, pois uma viagem para o planeta vermelho leva entre seis e oito meses. Durante esse tempo, os astronautas estariam sujeitos a uma elevada quantidade de radiação espacial.

Uma extensa pesquisa sobre os efeitos da radiação espacial em camundongos descobriu que a exposição prolongada pode acarretar distúrbios como perda de memória e ansiedade.

Outro estudo, realizado pela Academia Búlgara de Ciências, descobriu que lidar com a radiação deve ser uma consideração fundamental quando se planejam missões espaciais de longa duração.

O Dr. Fludra está envolvido no desenvolvimento de uma sonda solar que estudará a física por trás do funcionamento interno e externo do Sol.

De acordo com a NASA, a exposição à radiação leva a diversas anomalias como "grande risco para toda vida de adquirir câncer, efeitos no sistema nervoso central e doenças degenerativas".

A agência espacial afirma: "Pesquisas sobre a exposição em diferentes doses e intensidades de radiação fornecem fortes evidências daquilo que deve ser esperado como resultado da exposição aos raios cósmicos galácticos ou a eventos de partículas solares."

Quais os maiores riscos da exposição à radiação espacial?

A NASA considera que existem quatro grandes "preocupações em relação à saúde" que são prioritárias para os pesquisadores.

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Elas são os maiores riscos de câncer, desordens neurológicas e mudanças na capacidade motora, doenças degenerativas e de circulação sanguínea e danos causados por fortes eventos solares.

Em muitos casos, a radiação ionizante pode causar também "danos estruturais" ao DNA por partículas voando diretamente através do corpo humano.

A NASA afirma: "Devido aos seus padrões ionizantes nas biomoléculas, células e tecidos são diferentes da radiação terrestre, os efeitos biológicos resultantes são pouco compreendidos, e a quantidade de riscos envolvidos é uma grande incerteza."

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