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Analista: mercados de Brasil e México têm boa possibilidade de complementariedade 

Brasil e México estão negociando o estabelecimento de um acordo abrangente de livre-comércio. Mas, segundo especialista ouvido pela Sputnik, os mexicanos demonstram preocupações com a competitividade de seu setor agrícola.
Sputnik

De acordo com um estudo da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), há 346 produtos que poderiam ser favorecidos em um acordo comercial com o México, sendo que 136 desses já são exportados para o país norte-americano, que dispensa a necessidade de uma negociação feita através do Mercosul e já possui inclusive um acordo com o Uruguai.

Entre os itens que poderiam ser beneficiados estão alimentos, químicos, máquinas, equipamentos e produtos de metalurgia. 

​O advogado e economista Welber Barral, ex-Secretário de Comércio Exterior do Brasil, lembra que, desde o governo Lula, Brasília vem buscando uma aproximação com os mexicanos para um acordo desse tipo, mas as negociações nunca tiveram um desfecho por conta de dificuldades da outra parte em negociar o setor agrícola. Mas a expectativa é a de que esse acordo seja, agora, finalmente concluído, "com uma abertura bastante grande de produtos".

Em entrevista à Sputnik Brasil, o especialista explica que a resistência mexicana a um acordo de livre-comércio se deve ao fato de o país não ter uma produção agrícola tão competitiva. Entretanto, ele lembra que esse acordo com o Brasil deverá ter um aspecto muito amplo, abrangendo diversos setores.

"Ele envolve também a parte de investimentos, serviços, propriedade intelectual, compras governamentais... É um acordo bastante abrangente e que, do meu ponto de vista, é extremamente importante para o Brasil concluir. Agora, justamente por envolver vários temas muito diferentes, ele tem uma complexidade que o leva a esse tempo grande no prazo de negociação." 

​Segundo Barral, Brasil e México possuem dois grandes mercados com níveis similares de desenvolvimento industrial e haveria grandes possibilidades de complementariedade. Ele destaca que, assim como o Mercosul não atrapalha essas negociações, o USMCA, acordo que o México tem com EUA e Canadá, também não impede um entendimento com o Brasil.

"Nenhum dos dois acordos [o USMCA e o antigo Nafta] impede que os países negociem acordos individualmente. O Mercosul hoje, por exemplo, tem uma negociação com o Canadá, que deve ser concluída no primeiro semestre do ano que vem", destaca.

Atualmente, o México ocupa a oitava posição no ranking de principais importadores de produtos brasileiros, enquanto o Brasil é o sétimo na lista de destino das exportações mexicanas. Nos oito primeiros meses do ano, o Brasil exportou cerca de US$ 3,18 bilhões em produtos para o país norte-americano, enquanto importou aproximadamente US$ 2,87 bilhões.

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