Espião americano liberto por Pyongyang confessa ter trabalhado para a CIA

O ex-prisioneiro, que esteve condenado por espionagem na Coreia do Norte e saiu em liberdade em 2018, disse à mídia alemã que espiava para a CIA, procurava obter segredos nucleares, tirando fotografias com uma câmera escondida no seu relógio de pulso.
Sputnik

Em uma reportagem da televisão pública alemã NDR, Kim Dong-chul, de 67 anos e nascido na Coreia do Sul, posteriormente naturalizado cidadão dos EUA, relata suas antigas operações de espionagem, a detenção, abuso e torturas que sofreu atrás das grades.

"Eu abordava oficiais militares e cientistas sabendo que eles precisavam de dinheiro", disse Kim durante a entrevista, mostrando dedos deformados que, segundo ele, foram esmagados pelas botas de soldados durante seu interrogatório.

Kim Dong-chul foi um dos três prisioneiros americanos libertos por Pyongyang na véspera da cúpula histórica que decorreu em maio de 2018 entre Donald Trump e líder da Coreia do Norte Kim Jong-un, em sinal de boa vontade do governo norte-coreano.

O ex-recluso disse à mídia da Coreia do Sul que ele coletava informações para o Serviço Nacional de Inteligência sul-coreano e para a Agência Central de Informação dos EUA (CIA).

O empresário e antigo missionário cristão se tornou informador de confiança na Coreia do Norte, onde desde 2001 era gerente de um hotel na zona econômica especial na cidade de Rason, localizada próximo das fronteiras com a China e a Rússia, informa portal Yahoo. 

Kim Dong-chul foi detido em outubro de 2015 depois de ter alegadamente recebido um pen drive que continha dados relacionados com os planos nucleares, entre outras informações de caráter militar, de um antigo soldado norte-coreano.

Em abril de 2016 ele foi condenado a 10 anos de prisão em um campo de trabalhos forçados.

Kim Dong-chul admitiu que, ao trabalhar para CIA, tirava fotografias de navios militares por meio de um relógio de pulso que lhe permitia obter imagens de forma secreta. Isso permitiu à agência conhecer mais pormenores sobre a frota, da qual apenas tinha fotos de satélite.

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