Que tecnologias militares os americanos levaram 'emprestadas' da Rússia?

O assessor de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, disse que a Rússia está desenvolvendo novos mísseis baseados em tecnologias roubadas dos EUA, mas sem apresentar nenhumas provas. Contudo, os americanos já usaram conhecimentos militares estrangeiros, inclusive soviéticos e russos.
Sputnik

Aeronaves com decolagem e aterrissagem vertical, criadas na URSS para uso em porta-aviões, partilharam em grande parte o destino da maioria dos porta-aviões soviéticos.

Se o primeiro desses caças, o Yak-38, foi retirado de serviço devido à sua elevada taxa de acidentes e às medíocres características técnicas, já o promissor Yak-141 foi cancelado por falta de financiamento.

Raízes do F-35

No final de 1991, o pessoal do gabinete de design Yakovlev ofereceu o avião a estrangeiros. A Lockheed Martin respondeu. Isto deu ao aparelho uma perspectiva de vida, mas os cientistas e designers americanos aproveitaram a oportunidade e "privatizaram" parte da documentação técnica do Yak-141.

O seu avião de combate atual de 5ª geração F-35, ou melhor, a sua modificação naval F-35B, é suspeitosamente semelhante ao avião soviético. Ele tem a mesma unidade propulsora combinada – um motor de elevação e marcha e um ventilador de elevação.

Muitos especialistas em aviação têm notado que o ventilador rotativo, que se inclina em 95 graus e fornece à aeronave o empuxo vertical, praticamente imita o motor do Yak-141.

Roubar o sonar

Em 2012, o Reino Unido publicou detalhes da operação conjunta ultrassecreta Barmaid, dos EUA e Reino Unido, durante a qual o submarino da Marinha Real britânica HMS Conqueror "roubou" uma novíssima estação hidroacústica soviética.

No mar de Barents, o submarino britânico seguiu a popa de um navio de reconhecimento da Marinha Soviética, disfarçado de arrastão polaco, e cortou o cabo de reboque com uma ferramenta de corte especial.

A fim de evitar suspeitas e criar motivos de indignação, este dispositivo funcionava de forma muito astuta. O corte fazia parecer como se o cabo tivesse se rompido por atrito. Tendo capturado a estação hidroacústica, o submarino se escondeu nas profundezas sem ser detectado.

Quando o Conqueror chegou à base, o sonar foi carregado em um avião e transportado aos EUA. Aí ele foi desmontado até ao último parafuso e estudado minuciosamente.

Os americanos usaram essa informação para desenvolver medidas contra os novos sonares soviéticos, bem como para seus próprios sonares. Toda a operação permaneceu rigorosamente classificada durante 30 anos. Ela foi tornada pública apenas em 2012 no livro "Secrets of the Conqueror: the untold story of Britain’s most famous submarine".

Metralhadoras copiadas

Em outubro de 2018, o Comando de Operações Especiais do Pentágono (SOCOM) anunciou um concurso para criação de cópias exatas de armas de fogo russas.

Tratava-se das metralhadoras PKM de 7,62 milímetros e NSV Utyos de 12,7 milímetros. O SOCOM ofereceu subsídios a quem fosse capaz de descobrir e melhorar a tecnologia russa.

Uma das condições era os próprios fabricantes obterem os desenhos. Mas as metralhadoras deveriam ser fabricadas nos EUA e apenas com peças e materiais americanos.

Que tecnologias militares os americanos levaram 'emprestadas' da Rússia?

A Rostec propôs aos americanos que se dirigissem oficialmente à Rosoboronexport e discutissem a questão da aquisição de know-how. Caso contrário, sublinhou a entidade, se trataria de cópias ilegais de produtos russos. Simplificando, isso seria roubo.

Especialistas acreditam que os americanos pretendem fornecer as metralhadoras feitas a partir de desenhos russos para seus aliados no Oriente Médio e África.

Além disso, estas armas também seriam úteis para as forças especiais, que muitas vezes operam isoladamente das forças principais. É quase impossível fornecer munições em tais condições. Já será outra a questão se o grupo de operações especiais levar consigo armas compatíveis com as munições do inimigo.

Em busca do melhor

Os assentos ejetores soviéticos e russos da família K-36DM, desenvolvidos pela empresa Zvezda, são justamente considerados como dos melhores e mais confiáveis do mundo. Eles permitem abandonar instantaneamente a aeronave avariada em qualquer posição espacial, em velocidades de zero a supersônicas e em alturas de até 25 quilômetros.

Estes assentos ejetáveis equipam os caças russos MiG-29, Su-27, Su-30, bombardeiros Su-24, Su-34, Tu-160 e outras aeronaves. Em 8 de junho de 1989, graças a um K-36DM, o famoso piloto de ensaio Anatoly Kvochura se salvou quando seu MiG-29 se inclinou e começou a cair.

Ele ejetou-se a uma altitude de apenas 80 metros quando o avião se movia a um ângulo de 90 graus em relação ao solo e aterrissou em segurança, tendo tido apenas hematomas ligeiros.

Que tecnologias militares os americanos levaram 'emprestadas' da Rússia?

O incidente despertou no Pentágono um grande interesse por este assento ejetor. Em 1993, o Laboratório Armstrong, o principal laboratório de investigação da Força Aérea dos EUA, publicou um relatório de 424 páginas sobre o K-36DM.

O documento afirmava claramente que o produto soviético era muito superior aos seus análogos americanos. Em meados dos anos 90, uma delegação de Washington visitou a empresa Zvezda.

Os especialistas americanos assistiram a testes da cadeira de ejecção e avaliaram as perspectivas de adaptação do K-36DM às necessidades da aviação americana.

Porém, eles se recusaram a comprá-lo, referindo-se às peculiaridades da legislação americana. No entanto, nas modificações seguintes do assento ejetor ACES-2 foram aplicados muitos conhecimentos tecnológicos do K-36DM.

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