FMI não confirma acusação dos EUA à China sobre 'manipulação da moeda'

O Departamento do Tesouro dos EUA acusou a China de "manipulação" a sua moeda, após o yuan cair drasticamente em relação ao dólar em meio à escalada da guerra comercial entre Washington e Pequim.
Sputnik

Em uma revisão anual das políticas econômicas da China, divulgada na sexta-feira (9), o Fundo Monetário Internacional (FMI) manteve sua avaliação de que o valor do yuan tem estado "amplamente alinhado" com os fundamentos econômicos, questionando assim a declaração da administração Trump de que Pequim estaria manipulando a sua moeda para ganhar "vantagem competitiva injusta no comércio internacional".

O FMI disse no documento que a China tomou medidas para reforçar a sua moeda após esta ter caído entre meados de junho e início de agosto de 2018.

Em geral, a moeda chinesa "ficou praticamente estável" no ano passado, tendo o seu valor diminuído em 2,5 por cento em relação a uma cesta de moedas estrangeiras.

Análise do FMI

James Daniel, chefe da missão do FMI para a China, disse aos repórteres que o pessoal do Fundo concluiu que o valor do yuan em 2018 esteve "em linha com os fundamentos de médio prazo e as políticas desejáveis, ou seja, não significativamente sobrevalorizado ou subvalorizado".

A análise do FMI foi tornada pública a 9 de agosto - apenas quatro dias depois de o Departamento do Tesouro dos EUA ter rotulado a China de "manipuladora de moeda", numa declaração que irá provavelmente intensificar as tensões já existentes entre Pequim e Washington.

Foi também anunciado que o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, iria colaborar com o FMI para "eliminar a vantagem competitiva injusta criada pelas últimas ações da China".

A decisão veio pouco depois de o Banco Popular da China ter permitido que taxa de câmbio ultrapassasse os 7 yuans por dólar pela primeira vez em 11 anos, causando a queda dos mercados financeiros.

Posição de Donald Trump

O Banco Popular da China explicou que a desvalorização foi desencadeada por "medidas de unilateralismo e protecionismo comercial e pela imposição de aumentos tarifários à China".

Já o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que não desvalorizaria o dólar em meio à guerra comercial em curso com Pequim, embora tenha publicado um tweet em 8 de agosto dizendo que não tinha "entusiasmo com um dólar muito forte".

No dia seguinte, disse numa conferência de imprensa na Casa Branca que "não temos de" desvalorizar a moeda americana uma vez que "temos um dólar tão forte".

"O problema é que o nosso dólar está a um nível que torna isso difícil. Mas a vantagem de fazer o que temos é que o dinheiro está a entrar porque temos a moeda mais segura do mundo. Temos o padrão do mundo. Mas porque é tão forte, ficou tão forte porque outros países têm problemas. Torna as coisas mais difíceis para os nossos produtores" indicou.

Tensões comerciais

A desvalorização acentuada do yuan seguiu-se ao anúncio de Trump de que ele iria impor uma tarifa de 10% sobre mais US$ 300 bilhões em produtos chineses a partir de 1º de setembro. Ele já havia aplicado um imposto de 25% sobre mercadorias chinesas no valor de US$ 250 bilhões.

No relatório, o FMI também observou que, se Trump tivesse introduzido tarifas de 25 por cento sobre US$ 300 bilhões em importações chinesas, isso teria reduzido o crescimento de Pequim em cerca de 0,8 pontos percentuais nos 12 meses seguintes.

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