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Esquerda em transe: derrota na Previdência mostra momento frágil

Derrotada no impeachment de Dilma Rousseff e nas eleições de 2018, a esquerda foi batida mais uma vez na votação da reforma da Previdência. Com o ex-presidente Lula atrás das grades e pouca coesão, os progressistas seguem recolhendo os sacos e buscando se recompor.
Sputnik

Em entrevista à Sputnik Brasil, a cientista política Maria do Socorro Sousa Braga, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), afirma que o Partido dos Trabalhadores (PT) segue empenhado em defender seu principal líder e outros partidos conseguiram conquistar importantes espaços, como o PSOL, mas o cenário ainda é "muito ruim" para a esquerda

Esta sexta-feira (12) marca o aniversário de dois anos da condenação de Lula pelo então juiz Sergio Moro no caso do tríplex do Guarujá. 

As recentes divulgações de conversas de membros da força-tarefa da Lava Jato pelo The Intercept Brasil mostram um "conluio" do Judiciário contra Lula, afirma Braga. Apesar disso, ela acredita que o Supremo Tribunal Federal (STF) não deverá tomar decisões contrárias à Lava Jato porque não tem interesse em alterar o equilíbrio de poder em voga atualmente.

"As instituições estão no limite do que elas podem aguentar em termos dessas denúncias [sobre a Lava Jato]", diz Braga.

Após a divulgação das conversas, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a discutir um habeas corpus de Lula após o ministro Gilmar Mendes devolver ao plenário o processo do petista que ele havia paralizado ao pedir vistas. 

Executivo é um 'quase refém' do Legislativo

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), conseguiu formar um bloco de 379 votos para reformar as regras de aposentadoria dos brasileiros. A votação mostrou uma ampla vantagem do bloco governista, que precisava de 308 votos para aprovar a proposta de emenda constitucional da Previdência.

A professora da UFSCar diz que "toda a articulação" da Previdência é de responsabilidade de Maia e que hoje o Poder Executivo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) é um "quase refém" do Poder Legislativo, capitaneado por Maia e pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AM).

Braga ressalta que embora Maia não tenha popularidade o suficiente para um voo presidencial em 2022, ele tem se colocado como um importante nome para as próximas eleições. 

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