Saxo Bank prevê enfraquecimento do dólar no 2º semestre deste ano

O dólar pode vir a enfrentar um enfraquecimento no segundo semestre do ano, esperam economistas do banco de investimento dinamarquês Saxo Bank com previsão macroeconômica.
Sputnik

De acordo com economistas do Saxo Bank, "o Sistema de Reserva Federal dos EUA [Fed] está jogando pega-pega, e, se virmos sinais materiais de enfraquecimento no terceiro trimestre, Fed reduzirá as taxas a zero efetivo instantaneamente e poderá até mesmo reiniciar uma flexibilização quantitativa antes do fim do ano. Tudo isso aponta um enfraquecimento do dólar norte-americano no segundo semestre de 2019".

"O desenvolvimento mais notável das moedas durante os primeiros meses de 2019 foi a resiliência do dólar norte-americano, apesar da inversão das expectativas do Sistema de Reserva Federal, indo do hawkish [que considera a elevada inflação o maior entrave da economia] no final de dezembro para dovish [que é voltado à manutenção da atividade econômica e tolera inflação] e depois mais dovish com cada aparição subsequente do Fed em 2019", afirmou o chefe da Estratégia de Divisas do Saxo Bank, John Hardy.

Por que dólar cairia?

Segundo Hardy, a previsão de enfraquecimento do dólar se deve ao fato de que o Sistema de Reserva Federal dos EUA pretende seguir uma política ativa de flexibilização.

"A previsão de colapso da taxa de juros do Fed e sua disposição de trazer de volta uma política monetária improvisada fará com que o resto do mundo pareça melhor", afirmou o estrategista.

O Fed anunciou o último aumento de taxas em uma reunião em dezembro, decidindo aumentar a taxa de juro base para 2,25-2,5% de 2-2,25% ao ano. Este foi o quarto aumento no ano passado. No final das seguintes reuniões, a taxa continuou estagnada. Em junho, o presidente do Sistema de Reserva Federal dos EUA, Jerome Powell, não descartou que a taxa base do Fed possa ser reduzida já na próxima reunião em julho.

De olho em ouro

Além disso, bancos centrais de diversos países aumentaram consideravelmente suas reservas de ouro, algo que pode ser um alerta para a moeda norte-americana. Alguns especialistas indicam que isso porque, caso países deixem de confiar em moedas fiduciárias, a queda do dólar será algo inevitável.

Durante anos, os EUA têm sido os maiores detentores de ouro. Em abril de 2019, as reservas de ouro do país equivaliam a mais de 8.133 toneladas. Essa é a razão pela qual especialistas consideram que a política monetária dos EUA determina em grande parte o aumento do preço do ouro.

Foi indicado que se o Sistema de Reserva Federal dos EUA decidir suavizar a política monetária e de crédito, o valor do ouro pode seguir crescendo. Caso isso seja feito, mas de forma menos pronunciada, o preço do ouro se estabilizará, podendo inclusive sofrer uma queda.

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