Vice-chanceler: sanções contra Irã são sanções contra Rússia e China

As relações entre o Irã e os EUA enfrentam muitos desafios, mas a situação atual está longe de se transformar em guerra, revela um alto responsável do Irã.
Sputnik

O vice-chanceler iraniano e presidente do Instituto de Ciências Políticas e Pesquisas Internacionais do Ministério das Relações Exteriores do Irã (IPIS, na sigla em inglês), Seyed Mohammad Kazem Sajjadpour, deu uma entrevista à Sputnik Persa nas margens do Clube Valdai de Discussões Internacionais.

Ele partilhou sua visão em torno das sanções e pressão norte-americanas, bem como sobre a cooperação com outros países para fazer frente aos EUA.

"Certamente, a tensão existe, mas a situação não é tão crítica a ponto de se transformar em guerra. Os EUA conhecem as 'linhas vermelhas' do Irã, [o presidente iraniano] Rohani deu claramente a entender quais são", disse o vice-chanceler iraniano comentando a probabilidade de guerra com os EUA.

Ele chamou as sanções que recentemente foram aplicadas ao líder supremo do Irã e ao ministro das Relações Exteriores de "passos não diplomáticos e antidiplomáticos" dos EUA.

"Há contradição entre as palavras e as ações dos EUA. Por um lado, os americanos declaram que querem conversações, por outro lado, todas as ações deles contradizem os esforços diplomáticos", disse o vice-chanceler.

Em sua opinião, a Rússia e a China podem desempenhar um papel considerável na situação atual.

"É muito importante o fato de as sanções norte-americanas estarem orientadas não só contra o Irã, mas também contra tais países como a Rússia e a China, que, do ponto da vista dos EUA, se destacam na política regional e internacional", disse ele.

Que efeito têm tido as sanções na economia iraniana?

"A continuação das sanções é um desafio econômico para o Irã. De fato, elas estão orientadas contra as pessoas comuns. Entretanto, a experiência histórica mostra que o povo conseguirá superar os desafios mais complicados”, disse ele.

Durante as últimas duas décadas, os EUA fizeram tudo para dominar no sistema financeiro mundial.

"Eles transformaram o dólar em sua arma e o usam como um meio militar. No mundo há quem perceba que é necessário opor-se a tal estado de coisas. Atualmente, foi lançado o processo de criação de mecanismos [econômicos] diferentes, por exemplo, a Rússia e o Irã combinaram realizar as trocas comerciais em moedas nacionais", sublinhou o vice-chanceler.

"Esses mecanismos podem ajudar. Os sistemas criados pelos EUA vão enfrentar a resistência da comunidade internacional", concluiu Seyed Mohammad Kazem Sajjadpour.

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