Promotores federais discordaram sobre acusar Assange de espionagem, diz jornal dos EUA

Dois promotores federais dos EUA ligados ao caso do Departamento de Justiça contra o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, discordaram da decisão de enquadrar o ativista como espião, argumentando que o movimento representaria "sérios riscos para as proteções previstas pela 1ª Emenda" (que trata do direito à liberdade de imprensa).
Sputnik

O jornal The Washington Post citou pessoas familiarizadas com o assunto, alegando que James Trump, "um dos procuradores-adjuntos americanos pediu para avaliar o caso" contra Assange, e Daniel Grooms, que serviu como chefe criminal no escritório do Procurador dos EUA, discordou da decisão do Departamento de Justiça em acusar o australiano sob o Lei de Espionagem.

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O jornal relata que, enquanto revisava o caso, James Trump "estava preocupado em buscar uma acusação que fosse tão suscetível à Primeira Emenda e a outros desafios legais e factuais complicados".

No entanto, no momento em que o Departamento de Justiça dos EUA acusou Assange na quinta-feira, os dois promotores não estavam mais envolvidos com o tema. Os dois teriam deixado o posto no mês passado, embora James Trump tenha se oferecido para continuar a colaborar com os supervisores como consultor externo.

Não é incomum os promotores discordem sobre se um caso em particular merece acusações criminais, mas na maioria das vezes a divergência não “envolve questões importantes sobre direitos constitucionais”, de acordo com o jornal.

Grooms recusou a comentar as alegações do veículo, enquanto James Trump remeteu as perguntas a Joshua Stueve, um porta-voz da Procuradoria dos EUA em Alexandria, Virgínia. Este último disse ao jornal em um comunicado que "não responderia a declarações de origem anônima”.

Assange corre risco de ser sentenciado a 175 anos de prisão
Na quarta, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou Julian Assange, fundador do WikiLeaks, por 17 violações da Lei de Espionagem. Uma delas tem uma sentença de prisão de até 10 anos. As acusações alarmaram defensores da Primeira Emenda, desencadeando um debate sobre a proteção previstas para a atividade jornalística em e tratando de material secreto.

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