Análise: manobras navais conjuntas da Rússia e China enviam sinal para Ocidente

As marinhas da Rússia e da China iniciaram as manobras navais conjuntas Interação Naval 2019. O cientista político russo explica por que essa situação provoca tantas preocupações nos EUA.
Sputnik

As manobras navais russo-chinesas foram iniciadas na segunda-feira (29) nas águas próximas ao porto chinês de Qingdao, localizado na província de Shandong. A fase costeira das manobras decorre em 29 e 30 de abril, enquanto a simulação de combates no mar será realizada entre 1º e 4 de maio.

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Segundo comunicou o Departamento de Informações da Frota do Pacífico, o grupo de navios de guerra russos que participam das manobras é composto por: cruzador de mísseis Varyag, navios antissubmarino grandes Admiral Vinogradov e Admiral Tributs, corveta Sovershenny, navio de desembarque grande Oslyabya, navio de salvamento Igor Belousov e petroleiro Irkut.

Em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik, o especialista Sergei Sudakov comentou as manobras navais recém-iniciadas.

"Os exercícios de hoje confirmam que no âmbito da nossa cooperação temos não só compromissos políticos e econômicos, mas também estamos abrindo novas páginas na nossa interação militar. Nos exercícios anteriores em grande escala, a parte chinesa se mostrou um parceiro muito confiável com o qual se pode cooperar em condições de combate", afirmou.

"Por isso, hoje aperfeiçoamos as capacidades para realizar ações conjuntas no mar […]", indicou, apontando que estes são "passos muito importantes".

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Ao mesmo tempo, o cientista político acrescentou que este "também é um sinal muito bom que damos ao mundo ocidental, aos Estados Unidos, em caso se eles continuarem a se comportar de forma extremamente agressiva, como têm feito ultimamente".

Para resumir, o especialista enfatizou que "nós [Rússia] estamos prontos para declarar que estamos trabalhando em direção a algumas ações militares conjuntas para o caso de haver qualquer ameaça à China ou à Rússia".

Na opinião dele, os Estados Unidos consideram uma possível aliança militar entre a China e a Rússia como uma séria ameaça.

"Isso seria muito desagradável para os EUA. Porque há a Rússia, que tem boas tecnologias militares e que está rapidamente introduzindo inovações, e há a China, que também é bem adaptável, e também tem uma grande quantidade de mão-de-obra e um enorme potencial efetivo para o recrutamento do exército."

"Tudo isso cria certas ameaças para os Estados Unidos. E eles gostariam, de todas as formas, de criar uma barreira entre a Rússia e a China para que não tivéssemos exercícios conjuntos, para que nossas relações fossem frias. Mas os exercícios que estão decorrendo hoje confirmam o oposto", ressaltou o analista.

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