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Por que Brasil está insatisfeito com a presença russa na Venezuela?

O ministro do MRE do Brasil, Ernesto Araújo, declarou que os militares russos devem deixar a Venezuela caso pretendam manter o presidente Nicolás Maduro no poder. Em conversa com o serviço russo da Rádio Sputnik, analistas sugeriram por que o Brasil reage dessa forma.
Sputnik

"Se a ideia é manter Maduro no poder por mais tempo, significa que haverá mais pessoas famintas e fugindo do país, mais tragédia humana na Venezuela", afirmou o chanceler brasileiro por telefone à Reuters, adicionando que "tudo que contribui para a continuação do sofrimento do povo venezuelano deve ser removido".

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O professor da Academia Diplomática do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Lev Klepatsky, comentou ao serviço russo da Rádio Sputnik o pedido do Brasil de retirada de tropas russas da Venezuela. Vale destacar que o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou um pouco antes do Brasil que os militares russos deveriam abandonar a Venezuela.

"Os Estados Unidos iniciaram, e o Brasil está simplesmente 'indo de carona'. Nos últimos tempos, o Brasil vem cada vez mais dando atenção às recomendações de Washington, ao invés de realizar uma política externa independente. Não há nada de novo, e teve tempo em que a América Latina era considerada 'quintal' dos EUA."

Para Klepatsky, o pedido do Brasil pode ser interpretado erroneamente como um desejo de a América Latina ser somente de latino-americanos, com governos de fora sem poder participar do que está acontecendo na região, quando, na verdade, não passa de "tributo à atual política dos EUA". O serviço russo da Rádio Sputnik também falou com o cientista político e jornalista Yuri Svetov.

De acordo com Svetov, durante anos, o Brasil foi governado por políticos da esquerda com uma política externa um tanto antiamericana, vindo a ser presidido agora por Jair Bolsonaro, que mostra uma tendência diferente da adotada por outros chefes de Estado. O cientista político lamentou o passo do Brasil ao pedir a saída das tropas russas da Venezuela, visto que as duas nações, Brasil e Rússia, fazem parte do BRICS e são parceiras econômicas.

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"O Brasil, liderado pelo novo presidente, se vê como o novo líder da América Latina, e a presença da Rússia certamente o irrita, como se a Rússia estivesse se envolvendo nos assuntos deles", disse Svetov.

Em 21 de janeiro, a Venezuela começou a ser atingida por protestos em massa contra o presidente Nicolás Maduro, logo após a tomada de posse. Juan Guaidó se declarou ilegalmente presidente interino do país. Vários países ocidentais, liderados pelos EUA, anunciaram o reconhecimento de Guaidó. Rússia, China e vários outros países apoiam Maduro como presidente legítimo.

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