Analistas dos EUA dizem que instalação nuclear iraniana é mais antiga do que é declarado

Um relatório publicado pelo Instituto de Ciência e Segurança Internacional, sediado em Washington, afirma que instalação de enriquecimento de urânio de Fordow, também conhecida como Al Ghadir, é mais antiga do que Teerã declara.
Sputnik

A instalação Al Ghadir, supostamente usada para enriquecer o urânio necessário para fabricação de bombas nucleares, foi oficialmente construída em 2007. No entanto, o centro de pesquisas americano cita o chamado "arquivo nuclear iraniano", revelado em 2018 por Netanyahu, alegando que na realidade esta instalação já existia em 2004 e que sua construção provavelmente começou em 2002.

As imagens geoespaciais obtidas pelo Instituto mostram que a construção da então secreta instalação de enriquecimento de urânio de Fordow, também conhecida como Al Ghadir, já estava bem avançada em 2004/2005

A instalação nuclear foi descoberta pela primeira vez em 2009, relata o The Jerusalem Post. A descoberta e a consequente crise diplomática provocaram as sanções impostas a Teerã pelo Conselho de Segurança da ONU. Em 2015, após anos de negociações, o Irã, a UE e 6 outros países assinaram o famoso acordo nuclear, que levantou as sanções em troca de o Irã abandonar suas aspirações em matéria de armas nucleares.

Irã 'tem fórmula', mas nunca desenvolverá bomba nuclear, diz clérigo
O Irã negou repetidamente que a instalação de Fordow se destinava a produzir urânio de qualidade militar, afirmando que sua tarefa consistia apenas em produzir urânio pouco enriquecido para usinas nucleares.

"O Arquivo Nuclear levanta novamente a decepção do Irã sobre suas atividades com armas nucleares anteriores e levanta profundas questões sobre o verdadeiro propósito desta instalação", diz o relatório do Instituto de Ciência e Segurança Internacional.

O diretor do instituto, David Albright, disse em entrevista ao Jerusalem Post que a instalação de Fordow poderia ser usada para produzir de uma a duas bombas atômicas por ano.

Agência da ONU contradiz EUA e diz que Irã segue acordo nuclear descartado por Trump
O "arquivo nuclear iraniano" foi revelado em abril de 2018 por Netanyahu, que disse que ele foi obtido durante uma operação de inteligência israelense. Durante a apresentação do "arquivo", Netanyahu alegou que ele incluía 55.000 páginas e 183 CDs, que os iranianos guardavam no que ele descreveu como um "armazém abandonado".

Mas a apresentação foi recebida com interesse limitado, pois a maioria das informações no suposto arquivo seria conhecida desde cerca de 2007.

O acordo nuclear do Irã, conhecido oficialmente como Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), foi assinado em 2015 pelo Irã, China, Rússia, UE, Reino Unido, EUA, França e Alemanha. Os países participantes continuam a aderir ao acordo, apesar da decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de se retirar unilateralmente do acordo em 2018.

Comentar