Coreia do Norte estaria considerando reformas econômicas e abertura de mercado

Analistas do Banco da Coreia (BOK) acreditam que a economia norte-coreana está se tornando cada vez mais voltada para o mercado, apesar das rígidas regras planejadas de economia do estado, o que sugere que Kim Jong-un está aberto a reformas no país.
Sputnik

Um relatório de um grupo produzido pelo banco central sul-coreano sugere que o Norte estaria considerando seriamente realizar reformas de mercado para revitalizar a economia. Analistas dizem que Pyongyang estaria preocupada com a queda do PIB e os baixos padrões de vida de muitos norte-coreanos.

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De acordo com autoridades do Banco da Coreia (BOK), o PIB da Coreia do Norte contraiu 3,5%  em 2017, para cerca de 32,3 bilhões de dólares (1/40 do tamanho da economia sul-coreana). Funcionários do BOK também sugerem que o PIB per capita da Coreia do Norte é de cerca de US$ 1.300, um dos menores do mundo.

As avaliações podem ser imprecisas devido à falta de dados, bem como pelas flutuações do won norte-coreano contra o dólar. (8.500 KPW por 1 dólar, segundo cálculos do Daily NK, embora outras estimativas da taxa de câmbio do won mostrem números distintos). Dados de mercado não estão disponíveis devido à falta de troca prática da moeda da Coreia do Norte por dólares ou outras divisas.

"A tarefa de estimar a economia norte-coreana tornou-se cada vez mais difícil", disse Cho Tae-Hyoung, chefe da equipe de pesquisa da Coreia do Norte.

Dados macroeconômicos sobre o Norte não estão amplamente disponíveis. Muitos especialistas admitem que precisam confiar em avaliações informais, imagens de satélite e dados alfandegários de países terceiros para avaliar o tamanho da economia do país, o comércio exterior e as tendências de ambos.

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As discussões sobre a economia norte-coreana aumentaram depois que altas autoridades norte-americanas disseram que Pyongyang poderia se tornar um "milagre econômico" — apenas se concordassem com a total desnuclearização da Península Coreana.

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Especialistas do BOK dizem que a Coreia do Norte poderia estar inclinada a tentar empreender uma reforma econômica baseada nas regras de mercado.

Cho diz que os modelos macroeconômicos usados ​​por sua equipe para avaliar o estado da economia da Coreia do Norte sugerem que o país está experimentando um crescimento maciço em seu setor de serviços, o que contribuiu para um aumento nas relações monetárias baseadas principalmente no mercado informal entre os cidadãos do país. Imagens de satélite mostram um número crescente de mercados aparecendo em todo o país a cada ano, embora ainda não esteja claro quais mercadorias estão sendo negociadas e a que preço.

O fenômeno, porém, exige maior abertura da economia nacional para o mercado internacional. Isso pode sugerir que as autoridades em Pyongyang poderiam estar abertas a aprofundar os laços diplomáticos com outras economias da região. Nesse contexto, discussões sobre a desnuclearização oferecem a oportunidade certa para isso.

Uma reportagem recente do Daily NK revelo que os preços dos alimentos da Coreia do Norte seguem estáveis, em cerca de 5.000 KPW por 1 quilo de arroz. Esta estabilidade foi mantida apesar das pesadas sanções internacionais impostas em 2017, restringindo as já limitadas relações comerciais do país com o mundo.

Fome ainda é risco no país

No entanto, analistas dizem que a segurança alimentar na Coreia do Norte ainda é um problema, apesar das crescentes colheitas de arroz nos últimos anos. A nação depende de sua produção doméstica de alimentos, bem como da ajuda humanitária internacional. Economistas acreditam que a falta de acesso da Coreia do Norte aos mercados internacionais contribui para a incerteza econômica no país.

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Talvez por isso, autoridades norte-coreanas tenham alertado recentemente a ONU que as sanções internacionais tiveram efeitos negativos em sua economia e solicitado ajuda para alimentar a população.

"O governo da RPDC pede às organizações internacionais que respondam com urgência ao tratamento da situação alimentar", diz o recente memorando da Coreia do Norte ao Conselho de Segurança da ONU.

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