Após abalar América Latina, terremoto revela montanhas enormes nas profundezas da Terra

Um forte terremoto, que atingiu a Bolívia em 1994, ajudou um grupo de pesquisadores a estudar uma "fronteira" entre o manto superior e inferior da Terra.
Sputnik

Os geólogos descobriram com a pesquisa, publicada na revista Science, que essa estrutura é coberta por enormes picos de montanhas e fendas profundas.

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"O limite entre as camadas do manto era muito mais grosso do que a superfície do planeta. As colinas subterrâneas, falando figurativamente, eram mais altas do que os Apalaches ou as Montanhas Rochosas. Não podemos calcular com precisão sua altitude, mas eles parecem ser mais altos do que qualquer pico de montanha na Terra", disse o autor do estudo, Wenbo Wu, do Instituto de Geodésia e Geofísica de Wuhan, na China.

A estrutura interna da Terra é constituída por três camadas que incluem a crosta terrestre, o manto semilíquido e o núcleo de metal fundido. A crosta é dividida em placas tectônicas, que "flutuam" lentamente e colidem entre si. Esse processo resulta na formação de terremotos e de vulcões ativos nos pontos de colisão das placas.

Ao analisar os dados disponíveis sobre o terremoto de junho de 1994 na América Latina, mais especificamente no território da Bolívia, geólogos determinaram que os fortes sismos atingiram a camada final. Tais informações foram possíveis graças a estações sismográficas que obtiveram um "mapa de relevo".

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Descobriu-se que a estrutura é incrivelmente áspera, até mais do que a camada superior da Terra. Wu explica que, a uma profundidade de 660 quilômetros, a topografia é mais irregular do que as Montanhas Rochosas ou os Apalaches.

Apesar do estudo não ter determinado a altura exata dessas depressões e picos, os cientistas não descartam a hipótese de as montanhas serem ainda mais altas do que qualquer outra na superfície do nosso planeta.

De acordo com os pesquisadores, a presença desse relevo na camada inferior do manto sugere que suas rochas basicamente não estão misturadas com a parte superior da litosfera e que permanecem nesse estado desde a formação da Terra.

Essa análise permitirá que geólogos entendam a formação e origem do planeta no início da vida do Sistema Solar.

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