Seria possível coexistência pacífica entre Washington e Pequim no mar do Sul da China?

O almirante John Richardson, chefe de operações navais da Marinha dos EUA, disse na segunda-feira (28) que os EUA e a China estão dialogando sobre atividades militares no mar do Sul da China. A declaração do almirante seria uma amenização americana no que diz respeito ao mar do Sul da China?
Sputnik

O almirante Richardson discutiu o problema do mar do Sul da China ao discursar no Instituto Brookings em Washington. Segundo o almirante, o objetivo dos EUA no diálogo com a China é evitar confrontos no mar. Ao mesmo tempo, os EUA regularmente enviam navios de combate para a região, justificando envio pela garantia de liberdade de navegação.

A comunicação constante entre as Forças Armadas chinesas e americanas é necessária para evitar um possível conflito antes de atingir fase "quente". O almirante acrescentou que mantém uma "boa relação de trabalho" com militares chineses, só falando boas palavras sobre a última visita ao gigante asiático em meados de janeiro.

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Vale destacar que John Richardson nem ao menos tentou convencer os presentes que os países teriam se aproximado na questão sobre o mar do Sul da China. Pelo visto o que os Estados Unidos estão tentando é fazer com a China e outros países da região se acostumem com sua presença.

Desde o dia 7 de janeiro, sem a permissão do lado chinês, o destróier McCampbell carregado de mísseis passou a 22 km das ilhas disputadas de Paracel como parte da "operação para garantir a liberdade de navegação". Passados alguns dias, mais precisamente em 24 de janeiro, dois navios de combate americanos passaram pelo estreito de Taiwan, o que também causou duras críticas de Pequim.

No entanto, como disse o representante da Frota do Pacífico, Tim Gorman, os EUA não vão parar as operações para garantir a liberdade de navegação. "A Marinha dos EUA continuará voando, navegando e agindo onde a lei internacional permite", afirmou.

Assim, as declarações dos EUA sobre a necessidade de evitar confrontos no mar não são bem combinadas com a intenção de Washington de continuar as operações militares ativas para liberdade de navegação no mar do Sul da China e em outras áreas sensíveis ao gigante asiático.

De acordo com o analista chinês do Centro Analítico do Sul do Oceano Pacífico do Instituto de Problemas Internacionais da China, Shen Shishun, o posicionamento de americanos sobre a "liberdade de navegação" é muito duvidoso. "O slogan ‘liberdade de navegação' não é fundamentado. No mar do Sul da China e no estreito de Taiwan nunca houve um problema de liberdade de navegação, não há evidências de que a navegação nessas áreas não seja livre", afirmou Shen Shishun em entrevista à Sputnik China.

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Em sua opinião, a questão da navegação é usada apenas como fachada para interferir nos assuntos internos chineses. Qualquer ato de interferência nos assuntos internos da China sob o pretexto da assim chamada "liberdade de navegação" no estreito de Taiwan e no mar do Sul da China é inadequado, apontou o analista.

"A soberania chinesa se estende ao mar do Sul da China e ao estreito de Taiwan. O estreito de Taiwan corresponde às relações entre a China continental e a ilha, sua solução não necessita de participação de nenhuma força externa. Em todo caso, não é prudente interferir nos assuntos do mar do Sul da China e do estreito de Taiwan", acrescentou.

No entanto, em entrevista à Sputnik China, Shen Shishun apreciou muito os esforços da China e dos EUA de construir um mecanismo de confiança no mar do Sul da China, referindo-se à prática de exercícios conjuntos sino-americanos como útil.

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"Exercícios conjuntos dos dois países pelo menos os preparam para entender corretamente os sinais enviados de um para o outro, e, em caso de tensões e conflito, [os exercícios] ajudarão a reduzir casos de interpretações errôneas comportamentais e têm um papel positivo."

O analista reforçou que a China também se preocupa com segurança, mas que não cogita uso de força. "Em atividades em qualquer região mundial, não importa no mar, no ar ou no solo, a Carta da ONU deve ser cumprida, bem como devem ser realizadas em conformidade com leis internacionais, não sendo um caso em que somente um governo toma decisão de algo", concluiu Shen Shishun.

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