Ancara e Teerã acusam EUA de intervirem nos assuntos internos da Venezuela

Em meio à crise política venezuelana, o Irã e a Turquia declaram que os EUA intervêm nos assuntos internos de Caracas, informaram os Ministérios das Relações Exteriores iraniano e turco.
Sputnik

Os EUA intervêm nos assuntos internos da Venezuela, e o reconhecimento norte-americano do presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, como presidente do país, desconsiderando Maduro, poderia ocasionar caos, declarou o ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu.

"Nos últimos tempos, os EUA e alguns países da América Latina vêm intervindo nos assuntos internos da Venezuela. O país tem um presidente eleito, mas, ao mesmo tempo, o presidente da Assembleia Nacional se declara presidente do país e alguns países o reconhecem. É uma situação muito incomum que poderia ocasionar caos", afirmou Cavusoglu, citado pelo canal de televisão turco Ahaber.

Maduro rompe relações diplomáticas com os EUA
Anteriormente, a assessoria de imprensa do presidente turco Recep Tayyip Erdogan informou que o líder da Turquia manifestou apoio ao líder venezuelano Nicolás Maduro no âmbito do reconhecimento norte-americano do presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, como presidente do país.

Nesta quinta-feira (24), a chancelaria do Irã informou que considera a crise política na Venezuela um resultado da intervenção norte-americana nos assuntos internos do país e que espera uma solução pacífica do conflito.

"O Irã se manifesta contra qualquer intervenção nos assuntos internos da Venezuela, bem como contra ações ilegais e não constitucionais como uma tentativa de golpe; [o Irã] apoia o governo e o povo desse país", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Bahram Ghasem, que sublinhou que se trata de uma "intervenção aberta estadunidense" nos assuntos da Venezuela.

EUA reconhecem Guaidó como presidente interino da Venezuela
Ghasem se mostrou esperançoso que os conflitos políticos internos e outros problemas da Venezuela possam ser resolvidos o mais rápido possível através de instrumentos legais e pacíficos.

Na quarta-feira (23), Guaidó se declarou "presidente encarregado" da Venezuela. Os EUA, União Europeia e uma série de países da América Latina, inclusive o Brasil, manifestaram apoio a Guaidó e à oposição venezuelana. Rússia, Cuba, México, Bolívia, Nicarágua, Turquia e Irã apoiam a permanência de Maduro.

Moscou declarou que seu posicionamento sobre o reconhecimento de Nicolás Maduro como presidente legítimo da Venezuela não mudaria, assinalando que a postura de países ocidentais mostra a forma como eles encaram o direito internacional, a soberania e a não interferência nos assuntos internos de países.

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