'Retirar-se do planeta Terra': chanceler iraniano ironiza saída dos EUA e Israel da UNESCO

Os EUA e Israel se retiraram em conjunto da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), cujo objetivo oficial, entre outros, é a construção da paz através da cooperação internacional nas esferas de educação, ciência e cultura, alegando "antissemitismo" e "preconceitos contra Israel".
Sputnik

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, comentou a decisão dos EUA e de Israel de se retirarem da UNESCO enumerando outros acordos internacionais abandonados pelos EUA recentemente, inclusive o Plano de Ação Conjunto Global sobre o programa nuclear iraniano, múltiplos acordos comerciais e a Convenção sobre as Mudanças Climáticas de Paris.

"Ficou algo mais para a administração de Trump e seu regime fantoche se retirarem? Talvez sairem do planeta Terra completamente?", ironizou Zarif.

Anteriormente, a organização desmentiu as acusações de antissemitismo e preconceitos, usados pelos EUA e Israel para justificar sua saída, como "contraproducentes e vergonhosas". A representante da UNESCO, Irina Bokova, considerou a saída dos EUA como "perda do multilateralismo" e assinalou que Washington e UNESCO precisavam um do outro como nunca antes.

Os altos responsáveis iranianos criticaram repetidamente os Estados Unidos por seu unilateralismo crescente no palco internacional. Os EUA se retiraram inclusive do Plano de Ação Conjunto Global sobre o programa nuclear iraniano e introduziram sanções duras contra a República Islâmica. A saída do acordo foi criticada por outros signatários do documento, tais como a Rússia, a China e vários países europeus.

Estados Unidos saem da organização internacional UNESCO
Os EUA, Israel e UNESCO tiveram relações oscilantes durante várias décadas. Os EUA saíram da organização em 1984, alegando "radicalismo" e "ataques contra Israel", mas reingressaram em 2003. Em 31 de dezembro de 2018, Washington se retirou, citando de novo os "preconceitos contra Israel", acompanhado logo em seguida por Israel.

Washington e Tel Aviv expressaram suas preocupações quanto à organização depois de a Palestina se ter tornado membro de pleno direito em 2011. Os EUA e Israel perderam o direito de voto na UNESCO em 2013 por terem recusado pagar suas contribuições.

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