NASA pode vir a enviar 'toupeira nuclear' para buscar vida em satélite de Júpiter

Cientistas da NASA pensam em criar uma perfuratriz equipada com um reator nuclear para procurar indícios de vida no oceano subglacial de Europa, um satélite de Júpiter, e enviar os dados para a Terra, anuncia a assessoria de imprensa da Universidade de Illinois (EUA).
Sputnik

"Não sabemos a espessura exata da camada de gelo de Europa – estima-se que seja de 2 a 30 quilômetros, e é um grande obstáculo para qualquer veículo que precisará superá-lo em áreas que pensamos possuir bioassinaturas representativas de vida em Europa", explicou Andrew Dombard, pesquisador da Universidade de Illinois.

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Europa, um dos quatro maiores satélites de Júpiter, é um mundo oceânico cujas águas estão escondidas sob uma camada de gelo de vários quilômetros. Os cientistas acreditam que o oceano de Europa seja um dos possíveis refúgios de vida extraterrestre. Nos últimos anos, os astrônomos descobriram que esse oceano troca gases e minerais com o gelo da superfície do satélite, onde há substâncias necessárias para a existência de micróbios.

Essas descobertas forçaram o Congresso dos EUA a expandir significativamente o possível escopo da próxima missão "emblemática" da NASA — a estação interplanetária Europa Clipper. Dois anos atrás, os parlamentares se ofereceram para enviar não um, mas dois veículos para Europa, um dos quais submergirá e procurará indícios de vida diretamente nas águas do satélite de Júpiter.

Dombard e seus colegas do Centro de Pesquisa John H. Glenn da NASA desenvolveram um dos primeiros conceitos da segunda parte da missão. Os cientistas estão pensando se é possível criar um aparelho suficientemente leve e resistente que possa perfurar o gelo em uma direção arbitrária e atingir a borda superior do oceano de Europa.

Conforme os cálculos dos cientistas, essa instalação pode ser criada somente se for equipada com um reator nuclear ou uma fonte clássica de radioisótopo de calor e energia semelhante à do rover Curiosity e da sonda New Horizons.

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O calor gerado pelo reator ou pela fonte de radioisótopo, segundo os cientistas, pode ser usado diretamente para acelerar a perfuração e coletar amostras de água oceânica congelada de Europa. De acordo com os planos atuais de Dombard e sua equipe, este dispositivo perfurará um túnel de uns 15 quilômetros de extensão e fará várias "excursões" nas águas da lua de Júpiter com o propósito de procurar potenciais camadas e mantas de micróbios.

Mas há dois problemas apontados por geólogos: o alto nível de radiação de Europa, que está na fronteira entre o "escudo magnético" de Júpiter e do espaço exterior, e as dificuldades do funcionamento do sistema de comunicação.

Para se comunicar com a Terra, a "toupeira nuclear" instalará um transmissor de rádio na superfície de Europa através de conexões com o uso fibra ótica e diversos repetidores de sinal.

Essa abordagem permitirá que o módulo de pouso não apenas faça um mergulho direto na superfície oceânica, mas também escave vários túneis laterais. Em virtude disso, ele será capaz de estudar os "lagos" parcialmente congelados que, como os cientistas acreditam, podem estar escondidos dentro do espesso gelo de Europa.

A NASA considera que esta missão ou suas contrapartes mais bem-sucedidas serão enviadas a Júpiter cerca de um ano após o lançamento da missão intergaláctica Europa Clipper, que acontecerá aproximadamente em 2023. As autoridades dos EUA ainda não aprovaram a versão final do projeto, mas alocaram fundos substanciais para o seu desenvolvimento – cerca de US$ 195 milhões (R$ 761,6 milhões).

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