Que objetivo perseguia avião dos EUA sobrevoando estreito de Kerch?

Um avião antissubmarino Boeing P-8A Poseidon dos EUA realizou um voo de reconhecimento sobre o estreito de Kerch, onde no domingo teve lugar o incidente com navios ucranianos. Analistas comentam o objetivo do voo efetuado.
Sputnik

Segundo os dados do portal de monitoramento PlaneRadar, o avião sobrevoou a região do estreito de Kerch e se aproximou da costa da península da Crimeia à distância mínima de 31 quilômetro.

Putin sobre incidente no estreito de Kerch: foi uma provocação organizada por Poroshenko
Para Viktor Kravchenko, ex-chefe do Estado-Maior da Marinha russa, o avião americano poderia ter coletado informações para a Ucrânia em meio às tensões recentes.

"É possível que o avião espião norte-americano estivesse coletando informações para a Ucrânia sobre a situação no estreito de Kerch, caso tenha havido tal acordo entre os Estados Unidos e a Ucrânia. Talvez estivesse analisando que radares russos funcionam na região, que sistemas de defesa antiaérea há lá. É um trabalho de reconhecimento rotineiro dos EUA", comentou.

O que ele acha incomum neste caso é o fato de um avião dos EUA ter aparecido na região de Kerch pela primeira vez depois do incidente de 25 de novembro, quando foram detidos os navios ucranianos.

No entanto, o cientista político russo Leonid Krutakov duvida que o voo fosse mesmo de reconhecimento.

"Eles não tentavam descobrir nada por aí, porque há grupos de satélites espaciais que podem fazer qualquer reconhecimento, podem fotografar tudo. É uma provocação aberta e não disfarçada, quase o mesmo que fizeram os ucranianos com os três navios [no estreito de Kerch]. É uma escalada da tensão nas águas dos mares Negro e de Azov", disse Krutakov ao serviço russo da Rádio Sputnik.

Região ucraniana põe defesa antiaérea em prontidão de combate
Ontem (27), o tribunal ordenou a detenção de 15 dos 24 marinheiros ucranianos dos navios Berdyansk, Nikopol e Yany Kapu, que foram detidos pela guarda fronteiriça russa em 25 de novembro após violarem a fronteira da Rússia.

Na segunda-feira (26), a Suprema Rada (parlamento ucraniano) aprovou um decreto do presidente do país Pyotr Poroshenko sobre a introdução da lei marcial em algumas regiões do país por 30 dias.

O Kremlin qualificou as ações dos marinheiros ucranianos como uma provocação, acrescentando que a lei marcial introduzida pode levar inclusive à escalada da situação em Donbass.

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