Em que consiste o revés dos EUA na arena internacional? Especialista explica

A política de padrões duplos conduzida por Washington, que se manifesta na diferente atitude em relação à Rússia, Irã e Síria, por um lado, e à Arábia Saudita, por outro, resultou em mais um revés para os EUA na arena internacional, destaca um especialista francês em ciência geopolítica.
Sputnik

De acordo com as palavras do cientista político Alexandre Del Valle, citadas pela edição Atlantico.fr, os Estados Unidos têm vindo a introduzir cada vez mais sanções contra a Rússia e Síria, e tentam restabelecer as antigas restrições contra o Irã. Ao mesmo tempo, eles não prestam quase nenhuma atenção às atrocidades cometidas pela Arábia Saudita no Iêmen.

Ademais, nem mesmo as provas de participação de Riade dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA perturbaram as relações bilaterais.

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Vale destacar que, do ponto de vista oficial norte-americano, a situação é completamente diferente na Ucrânia, pois nesse caso toda a culpa é da Rússia.

E o mesmo acontece na Síria, onde os EUA atribuem toda a culpa da existência de vítimas às tropas governamentais do presidente sírio Bashar Assad, esquecendo, no entanto, que a maior parte das mortes tem sido obra dos jihadistas, aponta o especialista.

Entretanto, os EUA não impuseram nenhumas sanções contra a Arábia Saudita por causa do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.

"Só a duplicidade de critérios morais pode explicar a condescendência que o Ocidente mostra pelos seus 'aliados' sauditas", enfatiza.

Outro exemplo é a guerra e a catástrofe humanitária no Iêmen, pelas quais Riad é diretamente responsável e que já resultaram em um número enorme de vítimas.

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Segundo escreve o especialista, a coalizão saudita atacou, sem distinção, numerosas infraestruturas civis, inclusive hospitais, escolas, instituições culturais e religiosas. Isso contradiz totalmente as principais regras da guerra, algo de que Washington culpa frequentemente as autoridades sírias, adiciona o especialista político. Além disso, os EUA fecham os olhos às ações da Arábia Saudita, mas, ao mesmo tempo, não se esquecem de apelar à Rússia e à Síria para não bombardearam os rebeldes na província síria de Idlib, para alegadamente evitar uma catástrofe humanitária.

Apesar de que, após o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, muitos países ocidentais começaram a exigir que a Arábia Saudita parasse de lançar bombas contra o Iêmen, isso não levou a sanções e, ademais, não teve qualquer influência sobre as autoridades de Riad.

Como resultado, a Arábia Saudita continua apoiando os grupos terroristas, o Irã fortaleceu suas posições no Oriente Médio e os EUA sofreram mais um ‘fiasco' político, resume Alexandre Del Valle.

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