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DNA decifrado da múmia mais antiga das Américas revela origem dos índios modernos

Cientistas dinamarqueses decifraram o DNA da mais velha múmia das Américas, encontrada há meio século no sul dos EUA. Os resultados do estudo, publicados na revista Science, revelaram a origem dos índios modernos e a história de sua distribuição pelo continente.
Sputnik

Especialistas acreditaram por muito tempo que os antepassados dos índios se deslocaram para as Américas vindos do sul da Sibéria e da cordilheira de Altai em uma única onda de migração que ocorreu cerca de 14-15 mil anos atrás.

Porém, a descoberta em 2012 do homem de Kennewick, mais parecido com os povos indígenas da Austrália e Oceania do que com os povos asiáticos, fizeram com que muitos cientistas achassem que teria havido três ondas de migração de antepassados dos índios para o Novo Mundo e que todas decorreram em períodos diferentes e tiveram origens diferentes.

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Os seguidores desta teoria acreditam que os representantes de algumas destas ondas migratórias teriam se extinguido completamente no passado remoto e não sobreviveram até os nossos dias. Devido à forma bastante estranha do crânio, estes povos poderiam ter pertencido aos chamados paleoamericanos, que não têm nada a ver com os índios modernos e seus antepassados.

No entanto, Eske Willerslev da Universidade de Copenhaga e seus colegas provaram que esta teoria estava parcialmente errada após terem decifrado o DNA da múmia mais velha da América do Norte, que se formou de modo natural em uma caverna no atual do estado norte-americano de Nevada.

Os restos mortais deste homem antigo, que têm aproximadamente 10,6 mil anos, foram encontrados em 1940 na caverna de Spirit pelo casal de arqueólogos Sydney e Georgia Wheeler.

Múmia da discórdia

Os arqueólogos descobriram dois esqueletos humanos antigos, envoltos em caules de canas, um destes estava parcialmente mumificado.

A idade sensacional dos restos mortais foi identificada ainda nos meados dos anos 90, o que atraiu muita atenção para o achado, pois a múmia acabou sendo a mais antiga múmia "natural" das Américas.

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Porém, ao saber da descoberta os índios que habitavam em Nevada exigiram que lhes devolvessem os restos de "seus antepassados" para serem sepultados.

Após 18 anos de disputas, os especialistas prometeram aos índios que a múmia seria sepultada se fosse provado seu parentesco com os povos modernos e não tivesse relação com os paleoamericanos.

Os paleontólogos dinamarqueses coletaram amostras de tecidos e ossos da múmia, extraíram o DNA e o decifraram. Willerslev e sua equipe compararam o DNA da múmia com o dos outros povos antigos dos EUA, Brasil e da América Central, descobrindo muitos detalhes interessantes sobre a vida e migração dos antigos habitantes do continente.

Laços de parentesco

Os resultados mostraram que os povos antigos que habitavam o Novo Mundo há cerca de 10 mil anos tinham laços de parentesco entre si e eram parentes próximos dos índios modernos.

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Por um lado, a descoberta desmente um dos postulados da teoria sobre várias ondas de migração — a diferente origem dos povos.

Por outro lado, diferenças significativas no DNA deles indicam que logo após terem se mudado para as Américas, os antepassados dos índios se dividiram em três grupos. Um destes grupos, incluindo os parentes da múmia de Spirit, ficou na América do Norte, os outros dois se dirigiram ao sul, colonizando o continente inteiro em um ou dois milhares de anos.

Ao mesmo tempo, destaca o estudo, os representantes dos três grupos não ficaram totalmente isolados e entravam em contato uns com os outros, substituindo às vezes por completo seus vizinhos.

Um processo semelhante poderia ter ocorrido há cerca de oito mil anos, quando habitantes da América Central começaram a penetrar no sul e no norte, dando origem aos antepassados dos índios de hoje.

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