Análise: Oriente acumula ouro enquanto Ocidente mantém 'otimismo sem sentido'

Nos últimos três meses, os bancos centrais de todo o mundo adquiriram mais de 148 toneladas métricas de ouro, 22% mais do que no mesmo período do ano passado, segundo os dados do Conselho Mundial do Ouro. A Rússia, Turquia, Cazaquistão, Índia. Polônia e Hungria foram os líderes entre os compradores do metal precioso.
Sputnik

Enquanto as razões que empurram a Rússia, Turquia e outros países que enfrentam sanções de Washington a comprar mais ouro parecem claras, o consultor em metais preciosos Claudio Grass explicou ao canal russo RT por que outros países estão acumulando suas reservas desse metal.

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Em primeiro lugar, o especialista sublinha que a motivação principal que impulsiona alguém a se tornar proprietário de ouro físico é "recuperar a independência e a soberania" perante a dissociação de "um sistema financeiro que é insustentável". Neste sentido, o analista lembrou que muitos bancos entendem que o ouro oferece uma das garantias mais confiáveis "em tempos de turbulência econômica".

O analista russo Dmitry Lekukh, partilha a mesma opinião. Para ele, a imprevisibilidade da política atual de Washington é evidente e os países que podem enfrentar sanções estadunidenses querem cobrir seus riscos.

"E além disso, a realização de uma política de protecionismo e reindustrialização tão dura em meio a uma instabilidade política interna que não é menos evidente é sempre uma coisa muito perigosa", disse Lekukh à Sputnik, acrescentado que nesse caso os EUA poderiam enfrentar uma nova crise financeira e a desvalorização do dólar.

Quanto à Polônia e Hungria, Grass lembrou também sua tensão com a UE em relação às políticas migratórias que, segundo Grass acredita, só irão crescer no futuro.

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Segundo Grass, depois de ter "vivido sob o comunismo até cerca de 25 anos atrás", agora esses países da Europa Oriental "se opõem ao poder centralizado, especialmente quando vem de Bruxelas". Seus bancos centrais "não são cegos perante as crescentes tensões com a UE e os sérios riscos de uma nova escalada", explicou o analista, que considera sua estratégia de comprar ouro como "razoável".

Perante essa visão sensata do Oriente, o especialista destacou "a complacência e o excesso de confiança" da abordagem do Ocidente, onde o realismo "perdeu perante um otimismo sem sentido, colocando o Oriente em uma vantagem considerável durante a próxima crise econômica".

O analista citou as palavras do jornalista britânico William Rees-Mogg: "Os governos mentem, os banqueiros mentem, até os auditores às vezes mentem: o ouro diz a verdade."

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