Por que apoio da China é essencial para a recuperação da economia venezuelana?

O presidente venezuelano Nicolás Maduro visitou na semana passada a China, onde se encontrou com seu homólogo chinês. O economista venezuelano Tony Boza comentou à Sputnik em que se baseia a parceria dos dois países e por que o apoio de Pequim é fundamental para a recuperação da economia venezuelana.
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No âmbito de sua visita, Maduro participou do encerramento da XVI reunião da Comissão Mista entre os dois países, realizada em Pequim, onde anunciou a assinatura de 28 novos acordos entre os dois países nas áreas de petróleo, energia, mineração (ouro e ferro), tecnologias, educação, segurança, defesa e saúde.

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Tony Boza, assessor do governo venezuelano, acredita que Pequim e Caracas são bons parceiros porque suas políticas se focam nas vantagens mútuas e na não-interferência.

"Os laços econômicos entre a China e a Venezuela são elementos-chave para a recuperação, mas também [o são] as políticas de segurança e de Estado. A política de ambos os países é de diplomacia para a paz e para a autodeterminação dos povos", disse Boza, âncora do programa "Boza con Valdez" no canal estatal Venezolana de Televisión.

Um Cinturão, Uma Rota

O economista lembra que Caracas decidiu se juntar à iniciativa chinesa denominada Um Cinturão, Uma Rota, um projeto global de investimentos do país asiático em infraestrutura, a que o Uruguai também se associou.

A iniciativa faz parte do projeto Nova Rota da Seda, considerado por alguns economistas como o "Plano Marshall da China".

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Porém, para Boza, os dois projetos não podem ser comparados. O interlocutor da Sputnik Mundo recordou que os Estados Unidos usaram o Plano Marshall (1947) para "se aproveitar dos países europeus que tinham ficado devastados após a Segunda Guerra Mundial, e nem todas as nações receberam recursos; quem, sim, recebeu foram empresas transnacionais norte-americanas", pois era um empréstimo que dava retorno.

Segundo Boza, Pequim tem uma forma de estabelecer relações totalmente diferente da dos EUA.

"A China não é como os Estados Unidos, não é uma potência agressiva, não invadiu nenhum país, não impôs condições em termos coercivos, mas a sua relação, como bem disse o presidente, [que segue] a doutrina do destino comum da humanidade, implica o respeito pela soberania", ressaltou o economista.

Pagar a dívida com petróleo

O analista sublinha que a China é o principal credor da Venezuela. Assim, nos últimos 10 anos, Pequim aprovou créditos a Caracas no valor de mais de 50 bilhões de dólares, dos quais a Venezuela ainda deve $21 bilhões, indicam os dados do Fundo Chinês, citados pela imprensa nacional.

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Por sua vez, a Venezuela paga à China com sua produção petroleira. Em 2007, Caracas prometeu que enviaria como pagamento 100.000 barris diários, e em 2016 o pagamento mensal era de 500.000 barris, segundo dados oficiais.

Os dois países acordaram também que a China pagará à Venezuela qualquer excesso de petróleo que compre acima das cotas estabelecidas para cobrar a dívida de Caracas.

O líder venezuelano, por sua parte, disse que seu objetivo era aumentar a produção de petróleo nos próximos anos com apoio da China para entregar a Pequim um milhão de barris diariamente.

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