Chefe da Conferência de Segurança de Munique: 'Paz apenas com, não contra a Rússia'

O presidente de um dos principais fóruns europeus de segurança expôs a sua visão sobre a forma como a UE deve mudar a sua abordagem à política externa no contexto das recentes mudanças nas relações internacionais, como o crescente número de conflitos e tensas relações com a Rússia.
Sputnik

O chefe da Conferência de Segurança de Munique, Wolfgang Ischinger, publicou um artigo no jornal alemão Bild sobre o estado atual dos assuntos internacionais e as mudanças que a UE precisa passar para se adaptar à nova situação. Segundo Ischinger, o mundo tornou-se um lugar menos estável e está envolvido em crises e conflitos. Ao mesmo tempo, a UE está gradualmente perdendo o apoio dos EUA.

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O presidente da Conferência de Segurança de Munique sugeriu vários passos que a UE poderia dar na situação atual. Ele propôs uma estratégia dupla nas relações com a Rússia — ter "tanto diálogo quanto possível e tanta defesa quanto necessário". Ischinger enfatizou a necessidade de "manter a porta aberta" para Moscou e acrescentou que "a paz ou a segurança só são possíveis com a Rússia".

Além disso, ele recomendou limitar o direito de veto dos países da UE ao discutir a política externa do bloco. O oficial observou que quando qualquer país da UE pode vetar uma decisão relacionada à política externa. Ischinger também defende a ideia de criar um exército da UE para reduzir a dependência dos EUA. Acrescentou ainda que a Alemanha não deve mais fechar os olhos aos conflitos a leste e ao sul das fronteiras da UE e que a Europa deve se engajar ativamente com eles.

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O relatório foi divulgado em meio a crescentes preocupações de segurança na Europa causadas pela migração descontrolada para a UE, que começou em 2015 e supostamente permitiu que muitos extremistas entrassem no espaço Schengen sem serem detectados. Outro ponto de preocupação para Bruxelas é Moscou, que a UE acusa de iniciar o conflito no leste da Ucrânia e de uma concentração militar em suas fronteiras ocidentais.

As relações entre os membros da OTAN e a Rússia vêm se deteriorando desde então. Moscou negou as acusações e notou que estava reforçando suas fronteiras para evitar que o conflito ucraniano transbordasse para seu território.

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