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'Paralisia e inação' fazem governo apelar para Forças Armadas em Roraima, diz especialista

O presidente Michel Temer publicou um decreto autorizando o uso das Forças Armadas para conter a crise migratória em Roraima. A Sputnik Brasil conversou com o especialista em segurança pública José Augusto Rodrigues sobre o significado dessa medida no contexto da onda de venezuelanos que chegam ao território brasileiro.
Sputnik

O professor da UERJ e especialista em segurança pública, José Augusto Rodrigues, em entrevista à Sputnik Brasil, disse que o problema da grande recepção de venezuelanos no Brasil não é policiamento, mas a falta de planejamento do governo para lidar com esse problema. 

Temer decreta uso das Forças Armadas para conter crise migratória em Roraima
"Não havia a menor necessidade de um decreto de Garantia de Lei e da Ordem e do envio de militares a Roraima, se a gente percebe a distribuição dos venezuelanos que estão fugindo do seu país para vários outros países da América Latina, fica evidente que um país das dimensões do Brasil esse problema dos venezuelanos é simplesmente uma gota no oceano. Mas se para o Brasil o problemas dos venezuelanos é uma gota no oceano, para Pacaraima esse problema é uma confusão muito grande", disse o especialista, se referindo à cidade de Roraima que se tornou o epicentro da recepção dos imigrantes venezuelanos.   

O professor da UERJ argumenta que o governo federal deveria ter feito um planejamento para conter a crise migratória no sentido de recepção dos venezuelanos no país de uma maneira mais abrangente. 

"Esse problema já vem se arrastando e se tornando mais grave a cada dia e o governo federal foi absolutamente incapaz de esquecer a baixa política e montar uma estrutura mínima de recepção desses venezuelanos e interiorização deles no país como um todo, não deixar que aquelas pessoas ficassem se amontoando em uma cidade sem recursos, onde eles não tinham a menor condição de serem recepcionados, muito menos acolhidos", destacou. 

De acordo com ele, a atual situação em Roraima foi criada por conta da inação do governo e que o problema poderia ter sido evitado através de uma coordenação entre o governo federal e o governo estadual, além de outros ministérios. 

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"Parece que esse governo chegou a uma tal paralisia, uma tal incapacidade decisória, que a única resposta que ele consegue apresentar para resolver o problema é um decreto de Garantia de Lei e Ordem envolvendo o exército", afirmou. 

O especialista em segurança pública acrescentou também que o que é necessário para lidar com esta onda migratória não é uma grande quantidade de policiamento, nem a presença do exército em Pacaraima, mas "tirar Pacaraima do meio da confusão, ter uma estrutura de recepção". 

De acordo com o decreto anunciado pelo governo, o emprego das Forças Armadas em Roraima será realizado entre 29 de agosto e 12 de setembro, sendo feita uma avaliação sobre a continuidade da operação militar após esse prazo.

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