Moscou: são EUA que estão atolados no Iraque e não Rússia na Síria

John Bolton, conselheiro de Segurança Nacional do presidente Donald Trump, afirmou recentemente que a Rússia "está atolada" na Síria. Um alto funcionário em Moscou comentou sua declaração.
Sputnik

Bolton, citado pela Reuters, afirmou que a Rússia "está atolada" na Síria, buscando por outros países que possam financiar a reconstrução do país árabe, sublinhando que isso dá a Washington uma oportunidade de pressionar para que as forças iranianas deixem o país.

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Um alto funcionário de Moscou respondeu à afirmação de Bolton, lembrando quem realmente "está atolado".

"Queríamos lembrar a John Bolton: quem está atolado é o país à segurança do qual ele está se dedicando agora. Os Estados Unidos de fato estão atolados no Iraque e no Afeganistão", disse a fonte à Sputnik.

Jornalista internacional e especialista nos assuntos do Oriente Médio, Abbas Djuma, comentou as palavras do conselheiro americano, sublinhando que os EUA tomaram uma "posição cômoda" no processo de resolução da situação na Síria.

Para ele, o que disse Bolton segue a ideia expressa antes pelo presidente Donald Trump que o país não quer financiar a reconstrução da economia síria.

"Foi porque os americanos chegaram à Síria para destruir e isso é mais fácil que construir. Dizem que combatem o Daesh, mas não querem gastar dinheiro com nada mais […] Tal posição é muito cômoda. As 'pombas da paz' teriam libertado o Oriente Médio dos terroristas e ao mesmo tempo já não estão envolvidas na situação — de que recuperação pode se tratar?", opinou Djuma no ar do serviço russo da Rádio Sputnik.

Além disso, acrescentou, os EUA não têm razões para ajudar na reconstrução da Síria, pois não alcançaram seu objetivo principal — mudar o regime no país derrubando Bashar Assad.

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As afirmações de Washington que a Rússia "está atolada" na Síria, acredita o analista, não correspondem à verdade.

"A Rússia chegou à Síria não para 'limpar' depois dos americanos, mas a pedido oficial de Damasco para eliminar os terroristas […] A Rússia é o único país que se preocupa como [o povo sírio] vai viver após todo este horror. Então, por que os americanos pensam que a Rússia de alguma forma 'está atolada' […]?"

Djuma ressaltou que os territórios libertados com a ajuda da aviação russa hoje em dia já estão se recuperando passo a passo.

O conflito civil na Síria continua desde 2011. Em 2014, os Estados Unidos com seus aliados lançaram no país árabe uma operação contra o Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia) sem autorização oficial de Damasco e da ONU. Em 2015, a pedido das autoridades sírias, a Força Aeroespacial de Moscou começou sua operação antiterrorista na Síria em cooperação com as forças governamentais sírias. Em 2017, Moscou anunciou a derrota do Daesh e início da retirada de suas unidades do país.

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