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Acordo Brasil-Chile precisa ser vantajoso para empresas brasileiras, diz especialista

O Brasil e o Chile deram mais um passo nesta terça-feira (7), em Santiago, para a consolidação de um Tratado de Livre-Comércio (TLC) entre os dois países. Em julho o presidente Michel Temer esteve reunido com o seu colega chileno, Sebástian Piñera, para discutir a viabilidade desse acordo sair já em 2018.
Sputnik

Segundo o presidente brasileiro, o estabelecimento de um acordo de livre comércio entre o Brasil e o Chile é consequência da aproximação entre Mercosul e a Aliança do Pacífico. Para Marcus Vinicius Freitas, professor de Relações Internacionais da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), um acordo bilateral entre Brasil e Chile abriria mais espaço para o comércio com países da Ásia.

"O Chile é o segundo parceiro comercial do Brasil e com quem nós mantemos uma relação comercial intensa em razão do Mercosul. Além disso ele tem uma vertente que nos falta, a interface com o Pacífico. Isso facilitaria muito na questão do comércio com os países asiáticos", disse em entrevista à Sputnik Brasil.

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O TLC busca complementar em matérias "não tarifárias" o atual Acordo de Associação Econômica (ACE-35) vigente entre os dois países, que liberou 100% do comércio bilateral.

"Avançamos com o Brasil para uma etapa nova e superior. Negociar um TLC é um dos temas relevantes da nossa política externa", disse o ministro chileno das Relações Exteriores, Roberto Ampuero, em um comunicado da Chancelaria local.

Marcus Vinicius Freitas defende que é preciso que o acordo estabeleça vantagens para as empresas brasileiras.

"O que eu entendo que é necessário é que haja, por parte do governo brasileiro, um incremento nos benefícios para as empresas que querem se internacionalizar e criar, nessa relação bilateral entre Brasil e Chile, uma vantagem para as empresas que querem abrir negócios lá porque a maior parte do comércio do mundo ocorre entre indústrias", acrescentou.

Entre os temas que foram tratados nesta nova rodada de negociações estão assuntos regulatórios, facilitação de comércio, política de concorrência, comércio de serviços, telecomunicações, comércio eletrônico e assuntos trabalhistas e de meio ambiente.

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Um aspecto que poderia facilitar ainda mais o comércio entre Brasil, Chile e países asiáticos é a construção da chamada Ferrovia Transoceânica, que começaria no Brasil, no Oceano Atlântico e chegaria até o Perú, no Oceano Pacífico.

O projeto é polêmico e recebe críticas e elogios de diversos especialistas. Para Marcus Vinicius Freitas a possibilidade de construção da ferrovia é positiva para o continente.

"O grande problema nosso é sempre esbarrar na questão ideológica e na questão política, porque nessas situações porque claro que de alguma forma, vai haver o deslocamento de algumas questões ambientais, de população indígena, de populações locais e tudo passa pelo populismo ideológico que a gente nota na nossa discussão sem levar em consideração aquilo que vai ser de fato um benefício no longo prazo para os países", afirmou.

O Chile é o segundo principal parceiro comercial do Brasil na América do Sul, segundado dados do Itamaraty. Já o Brasil é o maior parceiro comercial do Chile na América do Sul, além de ser o principal destino dos investimentos chilenos no exterior, com estoque de US$ 31 bilhões. Em 2017, o intercâmbio comercial bilateral alcançou US$ 8,5 bilhões.

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