Brasileiro torce pelo hexa, mas não acredita que título trará mudanças ao país

Milhares de pessoas se reuniram na Praça Mauá, que virou um dos símbolos do Rio de Janeiro pós-Olimpíada, para acompanhar a vitória do Brasil sobre a Costa a Rica nesta sexta-feira (22). A Sputnik Brasil conversou com algumas pessoas presentes para saber se há esperança de que o hexacampeonato possa trazer alguma mudança para o país.
Sputnik

Segundo os organizadores, apaixonadamente 25 mil pessoas acompanharam o jogo pelo telão colocado entre o Museu do Amanhã e o Museu de Arte do Rio de Janeiro. Uma delas era Pamela Martins, que trabalha como auxiliar administrativa no centro da cidade e aproveitou para acompanhar a partida próxima ao trabalho. Para ela, o hexa é sinônimo de alegria, mas não é sinônimo de mudança.

"Para mim na verdade não muda nada, vou ficar feliz com o Brasil sendo campeão, mais uma estrela na nossa camisa, mas para a população pobre não muda nada, não vai mudar a saúde, não vai mudar a educação, mas é importante para um povo que sofre tanto ter um pouco de felicidade", afirmou.

Alemanha entra em campo contra a Suécia para manter recorde de 8 décadas
O clima na praça era o de um verdadeiro estádio de futebol, a cada chegada do Brasil no ataque a torcida incentivava e a cada falta marcada contra o Brasil a torcida pedia cartão. Essa vibração que trouxe Sidney Rodrigues, auxiliar de serviços gerais, para a Praça Mauá nesta manhã.

"Não é a primeira vez que eu venho. Depois do jogo tem um pagode, muita gente boa, na paz. Eu depois do jogo vou para o trabalho, mas depois do expediente eu estou de volta", disse dando risada.

Para ele, o clima de alegria e superação do povo brasileiro na Copa pode ajudar a trazer mudanças para o país.

"O hexa traz alegria, mas não muda nada. O que tem que mudar é lá em Brasília, os políticos precisam olhar para a alegria e vontade de superação do povo brasileiro, isso nós temos de sobra", disse.

Torcedores brasileiros assistem o duelo contra a Costa Rica no Boulevard Olímpico, no Rio de Janeiro.

A atmosfera do povo reunido para ver a seleção e o show do cantor e compositor carioca Diego Nogueira fez com que Rayane Victorino trouxesse o filho de 8 anos para o centro da cidade. Apesar de levar uma hora e meia para chegar de Duque de Caxias, local onde mora, ela disse que prefere vir para a Praça Mauá.

"Na baixada fluminense está meio fraco. Não tem nenhuma festa de rua, não tem nada. Eu queria dar um passeio com ele e com para cá. Vou voltar na quarta-feira [data da partida entre Brasil x Sérvia], achei muito bem organizado, com policiamento, botaram até pulseira para identificar meu filho. Me senti muito segura". Para a promotora de vendas, apesar dos problemas o povo brasileiro tem que continuar torcendo pela seleção.

"É a diversão que o povo brasileiro tem, não adianta a gente dizer que não vai torcer porque está cheio de problema, mas não muda nada do que precisa mudar", completou.

Brasil vence Costa Rica com 2 gols inesperados nos acréscimos (FOTOS)
O ambulante Diego Gomes veio para a Praça Mauá na intenção de trabalhar, mas acabou desistindo e ficou para assistir o jogo. Ele não acredita em mudança porque depois do pentacampeonato em 2002 o Brasil continuou igual.

"Ganhou o penta e não mudou nada por que se ganhar o hexacampeonato vai mudar? É o único momento do país aparecer de alguma forma, mas creio que vai continuar a mesma corrupção, a mesma precariedade na saúde, na educação, nada vai mudar", disse.

Na próxima quarta-feira, a Praça Mauá vai exibir a partida contra a Sérvia e depois haverá show da banda de rock brasileira Paralamas do Sucesso, a partir das 17h.

Comentar