Político dinamarquês faz apelo a boicote FIFA 2018: 'cansado de debate sobre Putin'

Enquanto um grupo de políticos dinamarqueses incentiva boicote à próxima Copa do Mundo de Futebol na Rússia em solidariedade ao Reino Unido, demais líderes dinamarqueses não se impressionaram.
Sputnik

Em contraste com os torcedores e jogadores de futebol da Dinamarca, que esperam repetir o excelente desempenho mostrado no Campeonato Europeu de 1992, líderes políticos do país parecem não estar entusiasmados em ir para as arquibancadas no Mundial na Rússia. Segundo o primeiro-ministro Lars Lokke Rasmussen, a Dinamarca não pode garantir que seus ministros e família real comparecerão ao evento na Rússia, informou a Rádio Dinamarquesa.

Previamente, a Dinamarca aderiu de modo impulsivo ao movimento britânico, aumentando, assim, a quantidade de países que expulsaram diplomatas russos em apoio a Londres. Lars Lokke Rasmussen, do Partido Liberal, disse que "não há dúvida" de que a Rússia está por trás do ataque químico ao ex-espião russo Sergei Skripal e a sua filha em Salisbury, apesar do laboratório de Porton Down não ter conseguido ligar o suposto agente nervoso à Rússia.

"Mantivemo-nos informados através dos canais que temos. Não há outra explicação que nos faça acreditar que a Rússia não tenha um dedo no jogo. É indiscutível", afirmou Lokke Rasmussen, sublinhando a necessidade de medidas duras para "mostrar à Rússia que tal comportamento é inadmissível".

A posição de Lokke Rasmussen sobre a Rússia foi bem recebida pelo relator estrangeiro dos liberais, Michael Aastrup Jensen, que argumentou que os políticos dinamarqueses deveriam "ficar em casa e assistir pela TV". Outros partidos dinamarqueses também sugeriram que a Dinamarca se abstenha oficialmente de enviar representantes para a Rússia. O porta-voz dos conservadores, Naser Khader, declarou que os políticos não devem interferir na Seleção da Dinamarca, mas aconselhou que as autoridades e a realeza de Copenhague permaneçam em casa.

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Em oposição, o relator estrangeiro do Partido Popular Dinamarquês de direita, Soren Espersen, disse estar "cansado" do "debate sobre Putin".

"Estou cansado de discutir sobre isso a cada dois ou quatro anos", disse Espersen ao jornal Berlingske. Segundo ele, o objetivo da visita oficial não é "prestar homenagem pessoal a Putin", mas, sim, "apoiar a Seleção nacional". 

"A decisão de realizar a Copa do Mundo na Rússia foi tomada há vários anos e não podemos deixar a atual situação política interferir em assuntos como Copas do Mundo ou Jogos Olímpicos", ressaltou Espersen, sugerindo que a presença do príncipe herdeiro seria um grande apoio à seleção.

Nick Haekkerup, relator do Partido Democrata Socialista, enfatizou que a solidariedade com o Reino Unido deve pesar mais no debate atual, mas expressou suas reservas sobre medidas drásticas.

"Se os britânicos pensam que há mais a ser feito, então estamos preparados para fazer mais. No entanto, pessoalmente, acho que um boicote de autoridades dinamarquesas à Copa do Mundo na Rússia seria uma solução inócua", disse Haekkerup.

O Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca afirmou que nenhuma decisão foi formalmente tomada até agora.

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