'Amar teu inimigo': os estadunidenses que insistem em ficar em Pyongyang

Não obstante as tensões sem precedentes entre os EUA e a Coreia do Norte, alguns missionários norte-americanos continuam visitando a Coreia do Norte.
Sputnik

A presença de missionários cristãos na Coreia do Norte começou no início dos anos 90 do século XX com Billy Graham, um pastor norte-americano, que se reuniu com o então líder do país Kim Il-sung, o avô de Kim Jong-un.

Em 1995, a Coreia do Norte pediu apoio internacional para fazer frente à fome que grassava na região. Entre 1995 e 2008, os EUA destinaram ao país 1,3 bilhão de dólares (R$ 4,2 bilhões) para ajuda alimentar e energética, informou o jornal The Wall Street Journal.

Seguindo o exemplo dos primeiros missionários, Chris Rice viajou recentemente da Carolina do Norte para a Coreia do Norte, onde supervisionou a entrega de 53 toneladas de carne de peru e soja destinadas a orfanatos norte-coreanos.

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Em Pyongyang, Chris Rice se encontrou com Stephen Linton, outro missionário de 67 anos da fundação Eugene Bell. Ambos justificam seu trabalho na Coreia do Norte com o preceito bíblico de "amar teu inimigo".

"Encontrar a paz significa ter a coragem de ir falar com o inimigo e estar disposto a ser criticado por ele", afirmou Rice.

Linton, por sua vez, viajou à Coreia do Norte mais de 80 vezes desde os anos 70. Participa de um programa para tratar a tuberculose resistente aos medicamentos. Segundo ele, em 2017, as autoridades norte-coreanas duplicaram o alcance do programa no país.

Entretanto, outros grupos cristãos acreditam que não devem ajudar a Coreia do Norte de maneira alguma. "Esse dinheiro irá diretamente para os bolsos do regime [norte-coreano]", afirmou Nancy Purcell, uma ativista cristã que viajou à Coreia do Norte em 2000.

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A mesma opinião foi expressa pela embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, perante o Conselho de Segurança da ONU, assegurando que "você não faz seu próprio povo morrer de fome para financiar armas nucleares", em referência à Coreia do Norte.

Ignorando a polêmica, Linton revelou seu objetivo na Coreia do Norte: "Estamos aqui por nosso amor a Jesus e nosso desejo de torná-lo conhecido e tornar conhecido seu amor entre o povo norte-coreano."

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