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Boulos ataca Bolsonaro e promete plebiscito ao ser confirmado pelo PSOL à Presidência

Agora é oficial. Líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos foi confirmado pelo PSOL como o candidato do partido para as eleições presidenciais de outubro. E em evento realizado neste sábado, em São Paulo, ele anunciou o que será a sua primeira medida, caso eleito.
Sputnik

Logo após ser escolhido pela maioria dos delegados do partido de esquerda, Boulos revelou que quer dar a chance do povo brasileiro de revogar ou manter as medidas tomadas pelo governo de Michel Temer (MDB), mencionando o teto de gastos públicos e a Reforma Trabalhista.

"Nem sequer a ditadura militar, em 21 anos, mexeu na CLT. Não há no mundo precedente como a Emenda Constitucional 95, que congela investimentos sociais por 20 anos; nem os maiores 'apologetas' do neoliberalismo fizeram isso. Nem Margareth Thatcher, nem (Augusto) Pinochet, nem Carlos Menem, nem Fujimori, ninguém ousou algo tão drástico, grave e brutal como foi feito com essa emenda", afirmou.

Boulos afirmou ainda que o foco da sua candidatura é "disputar o projeto de país". "Não teremos uma candidatura apenas para demarcar espaço dentro da esquerda brasileira. Vamos apresentar uma alternativa real de projeto para o Brasil", explicou o líder do MTST, que terá como vice a líder indígena Sônia Guajajara, escolhida por unanimidade pela legenda.

O presidenciável do PSOL ainda afirmou que não aceitará doações de bancos e grandes empresas, criticando um Estado brasileiro que é um "Robin Hood ao contrário", beneficiando banqueiros e magnatas, em detrimento da população mais humilde.

"Preferimos fazer campanha de chinelo rasgado do que receber dinheiro dessa gente", disse Boulos, mencionando ainda Joesley Batista, dono da JBS e que recebeu "R$ 100 milhões em distribuição de lucros e dividendos e pagou só R$ 300 mil de imposto, menos de 1%, enquanto a pessoa de baixa renda paga 12%, 15% ou mais".

Polêmica com Bolsonaro e Lula

No seu discurso, Boulos atacou não só Temer e suas medidas, mas também o deputado federal Jair Bolsonaro, presidenciável que se filiou nesta semana ao PSL. Após ser criticado pelo ex-capitão do Exército, o líder do MTST chamou Bolsonaro de "bandido" e "criminoso", relembrando os episódios em que o parlamentar incitou o ódio e a apologia ao estupro – mais cedo, ele havia gravado um vídeo com uma mensagem ao militar da reserva.

Boulos recebeu 71% dos votos (87 no total) e derrotou as pretensões de outros dois candidatos, Plínio de Arruda Sampaio Jr. e Hamilton Assis. Contudo, nem todos dentro do partido ficaram satisfeitos com o resultado, sobretudo pela forma com que o processo que coroou Boulos foi conduzido pela Executiva do partido.

Líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto pode ser candidato do PSOL à Presidência

"Boulos teve uma vitória que não leva o partido. Um terço do partido não digere a candidatura Boulos. É um terço formal. Mas, no partido real, 45%, 50% do partido não entende e não digere a candidatura. Ela nasce com déficit congênito de credibilidade e de legitimidade na base do partido. Criamos um problemão hoje e se chamada Boulos", comentou Plínio Jr., citado pelo jornal O Globo.

Outro aspecto que incomoda muito essa ala do PSOL é a proximidade do líder do MTST com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Boulos é um defensor que o petista possa concorrer nas eleições de outubro, e que, embora tenha sido condenado pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF-4) a 12 anos e 1 mês de prisão, não há provas contra Lula no caso do tríplex do Guarujá (SP).

"A nossa posição, e essa também é a posição tomada pelo PSOL, e da defesa do direito do Lula ser candidato à Presidência da República por entender que sua condenação foi injusta e sem provas. Nós achamos que defender o direito do Lula ser candidato e questionar e denunciar uma condenação em que o Judiciário toma o papel de partido político e condena por casuísmo, isso é uma coisa, e isso tem ampla unidade", disse Boulos.

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