Por que tudo que sabemos sobre Coreia do Norte é errado?

A doutora Loretta Napoleoni é especialista estimada de assuntos sobre o terrorismo financeiro e luta contra o Daesh (organização terrorista proibida na Rússia). Atualmente, seu foco é a Coreia do Norte. E como antes, em suas publicações, ela revelou um grande abismo entre o que se reporta em notícias e a realidade.
Sputnik

Na entrevista exclusiva à Sputnik Internacional ela contou sobre as principais revelações.

Se julgar várias informações da mídia, a Coreia do Norte é chamada de país paranoico com economia atrasada que ameaça a civilização. Contudo, vários especialistas que pensam desta maneira — entre eles, a Dra. Loretta Napoleoni, consideram que é o país que se desenvolve rapidamente, tem ambições de se tornar uma potência regional ou até internacional.

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Segundo disse à Sputnik Internacional, hoje em dia Pyongyang ocupa uma posição mais forte do que antes. Napoleoni acredita que este ano será decisivo para a Coreia do Norte e uma fase-chave em uma mudança geopolítica na direção do mundo multipolar, apesar de múltiplas sanções e declarações de Washington, Londres e outras potências ocidentais que têm um caráter negativo e provocativo.

Homem do milênio

O fator que determina esta ascensão extraordinária é o governo de Kim Jong-un, segundo acredita a cientista. "Ele é pragmático e tem uma visão do mundo muito clara que diferencia muito a de seus antecessores. Em comparação de Kim Il-Sung que combateu o colonialismo, ou Kim Jong-il que cresceu durante a Guerra Fria, Kim Jong-un é homem milenar, ele percebe a globalização e percebe que a oposição tradicional do Ocidente e Oriente dos tempos da Guerra Fria não é mais viável".

Ela acrescenta que para sobreviver, a Coreia do Norte tem que crescer economicamente e essa foi a mensagem do líder norte-coreano desde o início. O desenvolvimento econômico é base da Coreia do Norte. Segundo os dados do Banco Central da Coreia do Sul, o PIB do Norte aumentou 3,9% em 2016, devido às indústrias energéticas e de mineração.

Além disso, Kim Jong-un renovou a doutrina nacional com tolerância para uma crescente liberalização econômica e oportunidades para os cidadãos comuns de criar o seu futuro financeiro.

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Outros dois aspetos, dos quais Kim Jong-un renegou os princípios de seus antecessores é que ele introduziu as mulheres na vida política — sua esposa Ri Sol-ju e sua irmã Kim Yo-jong, e decidiu agir desafiando os desejos de seu aliado mais velho — a China.

Frutos da destruição

Para Dra. Napoleoni, os testes "públicos" nucleares da Coreia do Norte desempenharam um papel crucial na autonomia do país. Hoje em dia, ninguém tem dúvidas de que é o Estado que possui armas nucleares.

"É óbvio que Kim Jong-un não está interessado em efetuar o golpe nuclear primeiro — ele só quer que deixem-o em paz, o que seria sensato fazer os países ocidentais". No entanto, opina que as ambições construtivas da Coreia do Norte podem se transformar em destrutivas, pois em resposta à possível ameaça por parte de Pyongyang, o premiê japonês Shinzo Abe, anulou o Artigo 9 da constituição que reconhece a guerra como um meio ilegal da solução de conflitos e impõe restrições nas despesas militares.

Além do mais, o presidente norte-americano Donald Trump ameaçou a Pyongyang introduzindo mais sanções e classificando o país como patrocinador de terrorismo.

No entanto, a especialista acredita que já há sinais de que tal relação fria já está se esquentando.

Amigos velhos e novos

Os Jogos Olímpicos de Inverno de 2018 produziram impressões sem precedentes — os atletas do Norte e do Sul competiram sob bandeira unificada. Kim Yo-jong também entregou um convite pessoal ao presidente sul-coreano, Moon Jae-in, para visitar Pyongyang, ao qual respondeu positivamente — um emissário especial será enviado para a capital norte-coreana. Se tudo ocorrer bem, receberão a visita do presidente do Sul.

Conforme acredita Dra. Napoleoni, estes acontecimentos são a prova de que a Coreia do Sul admite inevitabilidade da entrada da Coreia do Norte no mundo ou, pelo menos, do fato da Coreia do Norte não desistir de armas nucleares, enquanto o Ocidente insistir na mudança do regime em Pyongyang.

Para concluir, ela disse que qualquer que seja o caminho do país, é óbvio que a Coreia do Norte não será um Estado pobre e a recusa dos líderes ocidentais de favorecer o processo com meios civilizados e legais desviará o país do mercado paralelo internacional.

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