EUA pretendem cortar verbas da ONU destinadas a refugiados palestinos

O governo de Donald Trump está se preparando para diminuir em dezenas de milhões de dólares a verba enviada para a agência da ONU para refugiados palestinos.
Sputnik

A redução da primeira contribuição do ano pode diminuir pela metade, ou talvez até desaparecer. 

Quaisquer possíveis doações adicionais dependeriam de grandes mudanças na organização, de acordo com funcionários do governo dos EUA que falaram de forma anônima à agência Associated Press (AP).

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Segundo disseram os funcionários, o presidente Donald Trump não tomou uma decisão final, mas parece mais provável que ele envie apenas US$ 60 milhões da primeira parcela à agência da ONU de suporte à Palestina. O valor previsto anteriormente era de US$ 125 milhões.

As contribuições futuras exigiriam que a agência, criticada por Israel, demonstre mudanças significativas em suas operações, disseram os funcionários. 

Eles ainda apontam que qualquer sugestão levada em consideração exigiria que os palestinos voltem às negociações de paz com Israel.

O Departamento de Estado dos EUA disse, neste domingo (14), que "a decisão está em revisão. Ainda existem deliberações". A Casa Branca não respondeu imediatamente a nenhuma das perguntas sobre o assunto.

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O governo americano pode anunciar sua decisão já na terça-feira (16), segundo as autoridades. O plano para reter parte do dinheiro é apoiado pelo secretário de Estado, Rex Tillerson, e pelo secretário de Defesa, James Mattis.

Segundo as informações, eles teriam apresentado a diminuição como um compromisso frente às demandas mais drásticas sugeridas pela embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley.

Haley quer um corte completo no dinheiro dos EUA até que os palestinos retomem conversações de paz com Israel que foram congeladas há anos. Mas Tillerson, Mattis e outros dizem que acabar com toda a assistência agravaria a instabilidade no Oriente Médio, principalmente na Jordânia, um país que recebe centenas de milhares de refugiados palestinos e que é também um parceiro estratégico dos Estados Unidos.

Os EUA são o maior doador da agência, fornecendo cerca de 30% do orçamento total. A agência se concentra na prestação de cuidados de saúde, educação e serviços sociais aos palestinos na Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Síria e Líbano.

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Centenas de milhares de palestinos fugiram ou foram forçados a sair de suas casas durante a guerra que levaram ao estabelecimento de Israel em 1948. Atualmente, estima-se que 5 milhões de refugiados e seus descendentes estejam espalhados por toda a região.

A eliminação ou redução acentuada da contribuição dos EUA poderia prejudicar a agência e restringir severamente o seu trabalho, aumentando a pressão sobre a Jordânia e o Líbano, bem como a Autoridade Palestina. 

Gaza seria particularmente atingida. Alguns funcionários, incluindo israelenses, alertam que tal medida poderia aproximar as pessoas dos militante do Hamas, que controla a região.

As autoridades dos EUA disseram que qualquer redução na assistência americana poderia ser acompanhada de pedidos para países europeus e outros para ajudar a compensar o déficit.

Os EUA doaram US$ 355 milhões em 2016 e deveriam fazer uma contribuição similar neste ano. A primeira parcela seria enviada ainda neste mês.

Mas após um tweet de Trump altamente crítico, em 2 de janeiro, sobre ajuda aos palestinos, o Departamento de Estado optou por aguardar uma decisão política formal antes de enviar qualquer parte dos 125 milhões de dólares deste mês.

O tweet de Trump expressou frustração com a falta de progresso em suas tentativas de negociar a paz entre Israel e os palestinos, apontando o dedo para os últimos. 

"Nós pagamos aos palestinos centenas de milhões de dólares por ano e não conseguimos nenhuma apreciação ou respeito", disse ele. "Mas, com os palestinos não querendo mais falar sobre paz, por que devemos fazer a eles quaisquer desses grandes pagamentos no futuro?".

Embora Trump se referisse a toda a assistência dos EUA aos palestinos, a contribuição para a agência de refugiados seria a primeira a ser afetada.

Três dias após o tweet, em uma reunião da Casa Branca, em 5 de janeiro, altos funcionários de segurança nacional tentaram encontrar um caminho a seguir. 

Liderados por representantes do Departamento de Estado e do Pentágono, todos, exceto um dos membros do "Comitê de Coordenação de Políticas", concordaram em continuar o financiamento, segundo disseram as autoridades.

A exceção foi da representante dos EUA na ONU, Haley, que insistiu que o tweet de Trump tinha estabelecido a política, e o dinheiro deveria ser cortado. A reunião terminou em um impasse.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu afirmou ao gabinete que concorda com a crítica à agência. Ele teria afirmado que a agência só perpetua problemas e deveria deixar de operar na região. 

Netanyahu e outros israelenses acusam a agência de contribuir para a militância palestina e permitir que suas instalações sejam usadas por militantes. Eles também reclamaram que alguns de seus funcionários têm tendências contra Israel.

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Netanyahu sugeriu transferir o orçamento da agência para a Agência da ONU para Refugiados, a ACNUR, que auxilia os refugiados em todo o mundo. Não ficou claro se, caso os EUA decidam retirar o auxílio, a verba seria deslocada para alguma outra organização.

A posição de Netanyahu, ao lado da oposição de Haley ao financiamento, levou Tillerson, com o apoio de Mattis, a propor um compromisso de US$ 60 milhões, segundo disseram as autoridades à AP.

Trump, que no ano passado perturbou os palestinos ao reconhecer Jerusalém como a capital de Israel, anunciando planos para mover a embaixada dos Estados Unidos para a cidade sagrada, estaria cauteloso quanto a demonstrar apoio a qualquer dos lados neste caso.

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